Quanto vale um professor?

Entrega do Prêmio Educação RS 2021. Foto de Rodrigo Washburger

Compartilho minha fala como representante da Comissão Julgadora do Prêmio Educação RS, idealizado e concedido pelo Sinpro/RS. A cerimônia de entrega ocorreu no dia 15 de outubro de 2021, na sede da ECARTA, em Porto Alegre.

Quanto vale um professor?

Anualmente, o dia 15 de outubro é dedicado aos professores e professoras do Brasil. Resgatamos lembranças, remotas ou mais recentes, e homenageamos aqueles e aquelas que de alguma forma deixaram suas marcas positivas em nossas trajetórias.

A data é comemorada porque no dia 15 de outubro de 1827, Dom Pedro I, então Imperador do Brasil, sancionou a lei que criou o ensino elementar no país, estabelecendo que “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”.

Mais tarde, Antonieta de Barros, jornalista e professora, primeira negra a assumir um mandato popular como deputada estadual de Santa Catarina, exercendo-o por duas legislaturas, criou a Lei Nº 145, de 12 de outubro de 1948, instituindo o dia do professor e o feriado escolar em 15 de outubro. Apesar de ter âmbito estadual, essa foi a primeira lei que associou a data ao dia do professor.

De lá para cá, a imprensa brasileira, no embalo das comemorações da data, prepara matérias e reportagens para dizer o quanto os professores são importantes. Hoje mesmo, logo cedo, em uma emissora de TV aqui do RS, uma professora foi entrevistada ao vivo, não perdendo a oportunidade de dar uma aula aos apresentadores: pediu que a imprensa passasse a tratar professores e professoras com mais respeito, e não com piedade ou pena, como costuma fazer. Eu particularmente acrescentaria que também não merecemos o desprezo e os ataques que muitas vezes nos são direcionados por setores da mídia no restante do ano.

Infelizmente, parte de nossa sociedade, ligada aos setores da elite econômica e política do país, vêm conseguindo, por meio de notícias falsas e manipulação de informações, culpar professores e professoras pelo baixo desempenho escolar dos alunos. Assim, desviam o foco da população dos verdadeiros motivos que nos colocam entre os países com os piores rendimentos escolares: pífio investimento público na educação básica, escolas com estruturas precárias e ultrapassadas, na maioria das vezes sem qualquer acesso às tecnologias, e salários que colocam os professores brasileiros entre os mais mal remunerados do mundo. E nem vou entrar nas questões sociais, como desemprego e fome, que muitas famílias brasileiras ainda enfrentam.

Embora tenhamos avançado um pouco entre 2003 e 2016 – mas não o suficiente para impedir os retrocessos que vivemos atualmente –, sabemos que não é de hoje que os professores sofrem e aguentam críticas de todos os lados, como se fossem os responsáveis diretos pela crise educacional que historicamente afeta o desenvolvimento do país. Se nas escolas públicas a situação é difícil pelo que já foi dito e por uma série de outros fatores, no ensino privado a docência muitas vezes se apresenta um pouco melhor em termos de condições físicas e estruturais. Mas ali, infelizmente, muitos professores são vítimas do clientelismo que costuma vez ou outra permear as relações entre essas instituições privadas e os pais dos alunos.

Para ilustrar com dados reais o quanto os professores são desvalorizados no Brasil, em 2021, um levantamento feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) constatou que o salário de professores do ensino médio brasileiro é o pior do mundo e 13% inferior à média da América Latina. Segundo o estudo, professores brasileiros recebem uma das piores remunerações entre os 40 países que foram objeto de uma pesquisa sobre o impacto da covid-19 na educação. Ainda de acordo com o mesmo levantamento, os professores de nível universitário, apesar de receberem salários maiores, ganham 48% menos em relação à média das outras nações.

Nesse contexto de tantas dificuldades e de tamanha desvalorização da carreira docente no Brasil, iniciativas como a do Sinpro/RS, que instituiu o Prêmio Educação RS, e que em 2021 chega na sua 24ª edição, precisam ser comemoradas. Identificar e reconhecer professores, professoras, instituições de ensino (públicas ou privadas) e projetos que se dedicam a mudar a realidade da educação brasileira, fomentando e gerando conhecimento, é algo que poucas instituições estão dispostas a fazer.

Num universo de dezenas de inscrições em cada uma das três categorias (Profissionais, Projetos, Instituições), não foi fácil para a comissão julgadora do Prêmio Educação RS 2021 escolher os três finalistas de cada uma delas, permitindo que os mais de 20 mil docentes sindicalizados pudessem escolher os vencedores por meio de votação online através de link disponibilizado por e-mail.

Gostaria de agradecer a professora Margot Andras, diretora do Sinpro/RS, por toda a dedicação e empenho na condução desse projeto, desejando vida longa ao mesmo. Agradeço aos colegas que comigo integraram a comissão julgadora, que num trabalho coletivo fizeram com que pudéssemos chegar num consenso entre os finalistas, e aqui penso ser importante nomeá-los:

Claudir Nespolo, Secretário de Organização e Política Sindical da CUT/RS; Sonia Ogiba, diretora de Comunicação da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Adufrgs/Sindical); Vera Nunes, jornalista e editora assistente do jornal Correio do Povo; Lucia Camini, professora e integrante do Conselho Estadual de Educação; e Rodrigo Perla Martins, professor e diretor do Sinpro/RS.

Pra finalizar, parabenizo os finalistas e os vencedores de cada categoria:

• Profissionais

Thaís Janaina Wenczenovicz / Universidade Estadual Do Rio Grande Do Sul

Fernando Rosado Spilki (vencedor) / Feevale

Nadja Costa / Instituto Federal Sul-Rio-Grandense

• Projeto

Passaporte Literário / CNEC Frederico Michaelsen

Postar ou não? Um guia para compreender e combater a desinformação / Goethe-Institut Porto Alegre

O Rio da Vida: herança, memória e reencontro / EMEM Emilio Meyer (vencerdor)

• Instituições

EMEI Ilha Da Pintada (vencedora) / Porto Alegre

Instituto Estadual de Educação Olavo Bilac / Santa Maria

Instituto Superior De Educação Ivoti / Ivoti

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