Quantos “Salatiel” você já encontrou nas ruas da sua cidade?

Podemos encontrar muitas coisas em uma rua.

Mas é preciso aprender a ver.

Em uma delas, no centro de Porto Alegre,

Conheci Salatiel Pereira.

Manuseando sua viola de arco

Em frente ao Centro Cultural Érico Veríssimo,

Salatiel, 19 anos, negro, periférico, toca músicas.

Eruditas.

Mas não só.

Com ela, a viola,

Ele também toca a vida,

Tece sonhos.

As ruas, enquanto lhe servem de palco,

Para o seu público,

São trajetos percorridos.

Pontos de chegadas e partidas.

Indicam caminhos,

Entradas, saídas.

Linhas retas, sinuosas,

Tortuosas.

Para alguns, elas também servem de morada.

As ruas ligam os diferentes pontos das cidades.

São traçados que desenham e dividem bairros.

Indicam endereços, referências.

Conectam redes, de afetos, desafetos.

Enquanto observo Salatiel

Tocando a Nona Sinfonia de Beethoven,

Numa “Ode à Alegria”,

Penso que essas mesmas ruas

(Nas quais ele toca)

Levam e trazem pessoas,

Tristeza, felicidade,

Choro, alegria,

Abraços, beijos,

Saudades,

Lembranças, esquecimento.

São fluxos

De idas e vindas

Rápidas e lentas.

Congestionam.

As ruas aproximam, distanciam.

Ali, onde está Salatiel,

A rua torna-se ponto de parada, contemplação.

E como Salatiel com sua música,

Em meio a tantas ruas,

As pessoas trafegam

Buscam pelos seus sonhos.

Quantos “Salatiel” você já encontrou nas ruas da sua cidade?

A foto de Salatiel Pereira, que ilustra este texto (de minha autoria), é do fotógrafo Igor Sperotto. Texto e foto integram a exposição “Artistas de rua na Ecarta”, que integro como um dos curadores convidados, ao lado de outros colegas. Informações sobre a exposição, abaixo.

Artistas de rua na Ecarta

A mostra traz para a Galeria Ecarta cinco artistas que, mesmo no cenário vigente da pandemia, seguem atuando nas ruas do Centro Histórico de Porto Alegre, RS, e em bairros próximos, como São Geraldo, Partenon e Menino Deus. A exposição consiste em fotografias (retratos) dos artistas em seus lugares de apresentação, vídeo da performance com malabares e pinturas.

As produções exibidas foram realizadas durante o período de pandemia do novo coronavírus.

artistas
Andressa Brzezinski, malabares
Daniel Jesus de Freitas, artista visual/pintura
Felipe Ganja, malabares
José Luís, músico
Salatiel Pereira, músico

curadores
Igor Sperotto, Nicolas Beidacki, Cristiano Goldschmidt, Vitor André Rolim de Mesquita e Walter Karwatzki.

abertura (sem inauguração)
15 de setembro de 2020, 10h às 17h

visitação
Até 15 de novembro, de terça a domingo, das 10h às 17h

local
Galeria Ecarta – Avenida João Pessoa, 943 – Bairro Farroupilha – Porto Alegre – RS

entrada franca

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