Como bancos e empresas podem ajudar a cultura gaúcha durante a pandemia?

edital banrisul

Recentemente, repercutiu de forma bastante negativa um edital lançado pelo Banrisul voltado aos músicos gaúchos. No mesmo dia em que foi publicado, ecoou na comunidade cultural os critérios de seleção que privilegiavam os músicos com maior número de seguidores em suas redes sociais. O edital, que irá remunerar em R$ 3.500 cada uma das 200 propostas selecionadas, de acordo com os critérios inicialmente adotados, deixaria de atender um número significativo de profissionais igualmente talentosos e que passam pelas dificuldades impostas pela pandemia da Covid-19.

Ao lançar um edital público que tem como objetivo fomentar a produção artística e cultural no contexto da pandemia era de se esperar que o banco, sem abrir mão de avaliar a qualidade artística dos concorrentes, lançasse um olhar mais solidário aos que neste momento estão sem renda por não poderem exercer suas atividades. Ao contrário disso, o marketing do Banrisul preocupou-se de imediato com o alcance da marca através do número de visualização das apresentações artísticas que deverão ocorrer nos ambientes virtuais.

Ao voltar atrás e decidir reavaliar o seu critério de seleção, conforme anunciado no site do banco na tarde de ontem, 30 de junho, o Banrisul deixa de apequenar uma ação que agora pode ser grande. É a oportunidade que a instituição tem para mostrar sua intenção de oferecer dignidade aos artistas neste contexto pandêmico. Artistas que enfrentam muitas dificuldades em um dos momentos mais tristes de nossa história.

Há ainda outra questão sobre a qual precisamos refletir. Para além do universo musical, é expressivo o número de artistas e técnicos de outras áreas, como teatro, dança, circo, artes visuais, literatura e cinema, que igualmente encontram-se em estado de penúria. O governo do estado, através da Secretaria Estadual da Cultura (Sedac), vem se esforçando para atender a essas demandas, com alguns editais de fomento já em andamento. Os projetos que chegam até à Lei de Incentivo à Cultura, a LIC-RS, ao serem aprovados, também estão podendo captar recursos junto à iniciativa privada para desenvolverem suas propostas artísticas por meio de lives ou produzindo conteúdos a serem disponibilizados nas plataformas digitais e nas redes sociais.

Pelo Brasil, multiplicam-se editais de grandes empresas voltados a fomentar a produção artística durante o período da quarentena. Em nosso estado, além do Banrisul, que em muitas oportunidades tem contribuído para o desenvolvimento econômico e cultural dos gaúchos, temos empresários e industriais fortes de vários setores que financiam atividades culturais nas mais diversas áreas, seja de forma direta ou através de renúncia fiscal.

O momento que atravessamos, no entanto, pede um esforço extra. Os bancos e as empresas gaúchas precisam se unir para criar oportunidades de trabalho a todos os artistas, sem distinção. Seja através de editais próprios ou de parcerias com a Secretaria Estadual da Cultura e dos Fundos de Apoio à Cultura, é hora de as empresas mostrarem-se ainda mais solidárias com aqueles que trabalham para o desenvolvimento artístico e cultural do RS.

Além de institutos culturais, escolas de teatro, de música, de artes variadas, que também estão seriamente prejudicados por essa situação, há um número expressivo de intelectuais, artistas e técnicos da cultura que emprestam seu talento e que ajudam a impulsionar a produção de conhecimento e o desenvolvimento do nosso estado e que neste momento pedem socorro.

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