Brasileiros falam sobre o coronavírus em diferentes países. Dia 10. Daniel Kwintner: Israel

daniel e família

Daniel, Isabelle e Benjamin / Arquivo pessoal / Divulgação

Em meio à preocupação com o aumento no número dos casos de coronavírus no Brasil, que atingirá seu pico nas próximas semanas, segundo prognósticos feitos por especialistas da área da saúde, brasileiros relatam suas experiências em diversos países que já enfrentaram ou que ainda lutam contra o avanço da pandemia e para diminuir o máximo possível o número de vítimas fatais.

Dos dez brasileiros ouvidos até o momento, sete buscaram fora do Brasil oportunidades de estudo ou de trabalho: um mora na China, uma mora na Itália, uma mora na Holanda, um mora na Finlândia, um na Noruega, um mora na França e outro em Israel. Dos demais, três estavam de férias no exterior: um na Espanha, um em Israel e outro havia iniciado seu roteiro europeu pela Alemanha, com passagem prevista por Luxemburgo e Itália. A viagem teve que ser interrompida na segunda das sete cidades alemãs a serem visitadas.

Em meio ao caos que se previa, gerando pânico na população local e nos estrangeiros, que passaram a ser tratados com ostracismo, e com a previsão de cancelamento dos voos e fechamento das fronteiras, os brasileiros que estavam de férias tiveram que interromper suas viagens e retornar ao Brasil, não sem enfrentar algumas dificuldades. Os que residem no exterior relatam suas rotinas e a forma como os governos vêm enfrentando a pandemia, além de falarem sobre o impacto da mesma no dia a dia da população. Os depoimentos estão sendo publicados um a um, a partir do domingo, 22 de março.

Sábado, 11 de abril: Dia 10. Daniel Kwintner: Israel

Em Israel, pesquisa em saúde e amparo financeiro do Estado para minimizar o impacto da covid-19 na vida das pessoas

Fundador e professor da Elo91 Escola de Cabala, Daniel Kwintner, 39 anos comemorados no dia 05 de março deste ano, tem nacionalidade israelense e brasileira. Em diferentes momentos de sua vida já se dividiu entre Israel e o Brasil, além de ter morado em outros países. Há pouco mais de um ano, novamente fixou residência em sua terra natal, Ramat Gan, perto de Tel Aviv, para onde se mudou com a esposa Isabelle Mascetti de Queiroga Kwintner e o filho Benjamin, de quase três anos. No início da entrevista, Daniel brinca, dizendo que em Israel há uma piada contada pelos locais segundo a qual todos afirmam que no país tudo é perto de Tel Aviv. Isso para deixar claro que as dimensões do país não podem ser comparadas com as do Brasil: “Israel é do tamanho de Sergipe, aqui é tudo pertinho e faz fronteira com Tel Aviv”.

Ao ser questionado sobre os motivos que o levaram a retornar a Israel depois de anos vivendo no Brasil, ele responde: “Viemos para cá por duas razões principais: a primeira, para eu estar mais próximo da fonte da Cabala, porque eu sentia falta dessa proximidade. Como professor de Cabala, eu busco constantemente estudar e aprender, não só de livros, mas também de outros mestres, e as opções meio que se exauriram no Brasil, então eu decidi vir para cá por um período para encontrar com mais pessoas, e nesse sentido, essa decisão tem se provado certa. Mas também porque minha esposa queria muito viver aqui, dar educação para o nosso filho aqui, e decidimos fazer um teste de uns dois anos. Agora, a gente está considerando a ideia de talvez voltar para o Brasil depois que tudo isso acabar. Mas estamos aqui, morando, como uma etapa de vida”.

Sobre a pandemia do coronavírus, Daniel conta que os israelenses estão em isolamento social desde o dia 15 de março, quando, por lei, o governo ordenou o fechamento de todas as escolas e de todos os negócios não essenciais, como shopping centers, coffee shops e estabelecimentos do gênero. Com o passar dos dias, essas restrições foram aumentando também para outros estabelecimentos.

“No início, ainda era possível ir para o trabalho, mas tinha que haver uma diminuição do número de pessoas trabalhando ao mesmo tempo, com uma distância de dois metros entre elas, além do limite de quantos poderiam usar o transporte público. E assim, a cada um ou dois dias, foram restringindo mais. Hoje em dia, quase um mês depois, as restrições são maiores”, conta.

No país, os cidadãos podem sair de casa para fazer compras nas farmácias e nos supermercados, além de estarem autorizados a ajudar os idosos, que são do grupo de risco, ou outras pessoas que estejam em isolamento por suspeita de terem contraído a covid-19. Nestes casos, devem ficar em casa por duas semanas sem sair. Segundo Daniel, os cidadãos israelenses também podem sair de casa por uns dez minutos, num raio de 100 metros, para se refrescar: “Não dá para sair à toa e se deslocar para longe, porque na identidade israelense consta o endereço da pessoa, então tem como fiscalizar isso”.

Até o dia 11 de abril, Israel contabilizava 10.743 casos confirmados, desses, há 1.341 curados, 101 mortos, e muitos em estado leve, ou seja, eles estão em isolamento domiciliar, ou em alguns hotéis designados para recebê-los e recebendo tratamento através de uma equipe médica. “Você pode ver que os números aqui são ‘relativamente bons’. É horrível dizer isso, mas são números bons em relação ao número de óbitos, doentes em estado leve, etc. Em relação à evolução, a gente pode dizer que o isolamento social tem funcionado aqui em Israel porque conseguiram chegar ao famoso achatamento da curva, a ideia de fazer com que o crescimento pare de ser exponencial. A gente sabe que o nível de contágio do coronavírus não tem como definir, mas está entre 2 a 4, o que significa que uma pessoa pode contagiar de 2 a 4 pessoas. Ou seja, um crescimento exponencial muito perigoso, como temos visto no mundo. Aqui, a cada dia cresce o número de contagiados, porém, parou de ser um crescimento exponencial, parou de se duplicar ou triplicar a cada dia, e isso é muito bom. Isso tem sido assim há mais ou menos duas semanas, quando começaram a achatar essa curva”.

Questionado sobre os avanços israelenses em busca de uma vacina para a covid-19, Daniel diz que tem acompanhado essas pesquisas de perto e que, assim como acontece em vários países, Israel está buscando uma vacina, com estudos que apresentam uma boa evolução neste sentido. Segundo ele, a partir de amostras de sangue colhidas de pacientes graves que se recuperaram – além de pesquisas feitas com animais –, nos últimos dias os pesquisadores do Instituto Biológico Israelense conseguiram produzir anticorpos contra o vírus.

“Ainda estamos longe de chegar a uma vacina, mas digamos que na melhor expectativa podemos chegar a ela no inverno aqui de Israel, lá por dezembro ou janeiro, ou seja, ainda temos alguns meses até lá. A primeira vez eu ouvi que uma vacina estava a uma distância de 12 a 14 meses de ser descoberta, a última vez as informações diziam que a vacina estava a uma distância de 9 a 10 meses. Ou seja, estão diminuindo estas distâncias, e espero que seja mais rápido do que isso”.

Com um sistema de saúde público e de ponta, que atende a todos sem distinção, Israel é líder em pesquisas no mundo, seja em prevenção ou na cura de vários tipos de doenças. E mesmo para quem opta por um plano de saúde complementar, Daniel afirma que a opção é relativamente barata. Ele exemplifica com o seguro de saúde que fez para toda a sua família, segundo ele, o mais caro do país: “Eu pago 127 shekels por pessoa, mais ou menos uns 600 reais por mês para a família toda para o melhor seguro de saúde que temos aqui, com acesso a todos os tipos de médicos e tratamentos”.

Daniel afirma que há algum tempo Israel está se preparando para um possível aumento do número de casos, e dentre as medidas adotadas, ele lembra que no dia 06 de abril chegaram ao país 900 mil máscaras e meio milhão de roupas de proteção para serem usadas pelas equipes médicas. O país também está fazendo um esforço para chegar a 7 mil respiradores artificiais à disposição da população. Ele aponta para o fato de que o sistema israelense está bem organizado para atender as pessoas infectadas:

“Aqui os números são precisos. Essa precisão você não vê em outros países. Quantas pessoas têm coronavírus? O número é, sei lá, 12 mil – mas são 12 mil que foram testadas e deu positivo. E a gente sabe que tem centenas, milhares que não foram testadas e não sabem que estão com o vírus. Aqui esse número é bem preciso, está bem controlado. Ou seja, um grande número de pessoas que contraíram ou desconfiam ter contraído têm como fazer o exame. E aqui em Israel têm exames drive-thru. Você pega seu carro e vai até o local, e no próprio carro é feito o exame. É feita uma coleta de saliva, diminuindo a chance de contaminar outras pessoas, especialmente, com todo o cuidado para não contaminar a equipe médica. Também estão organizando e estamos chegando próximos de podermos fazer esses exames em casa. A ideia é a pessoa fazer a coleta em casa e mandar para uma equipe médica por um motoboy, dentro das normas de segurança. Se D’us quiser, vão desenvolver isso ainda em breve”.

Daniel destaca ainda o fato de que alguns hotéis foram designados para abrigar doentes que não estejam em situação grave, mas que mesmo assim precisam de acompanhamento e atendimento médico. Essa medida foi adotada para que pacientes com a covid-19 não contagiem pessoas com outras enfermidades, e também para que não ocupem o lugar de pessoas que estejam nos hospitais em estado grave precisando de respiradores artificiais. Os hotéis também estão recebendo pessoas que estão voltando de fora do país. Ele lembra que Israel fez algumas “missões de resgate” para trazer de volta ao país os israelenses que estavam “presos” em outros países, a trabalho ou de férias: “Por exemplo, há pessoas que estavam passeando pelo Peru, ou na Índia, então, na hora de voltar, eles ficam de quarentena nestes hotéis, em observação, antes de retornar às suas famílias”.

Além de ter um sistema de saúde preparado, com um alto nível de controle dos infectados – com uma grande quantidade de testes disponíveis para detectar o coronavírus, com os resultados saindo relativamente rápido – o governo Israelense também liberou o rastreamento das pessoas através dos dados dos celulares, monitorando os lugares onde as pessoas contagiadas estiveram nas últimas semanas. A medida foi adotada para que todos os que tiveram contato com alguém com suspeita ou com a covid-19 confirmada possam receber através do celular um aviso automático do sistema de saúde do país: “O governo manda uma mensagem no celular pedindo para que fiquem em casa em isolamento total, para se isolarem até mesmo dentro da casa, em um quarto, separado do restante da família”. Segundo Daniel, a medida já está acontecendo há três semanas, e têm funcionado, evitando a proliferação da doença.

Ao falar sobre o grau de conscientização da população, Daniel diz que a maioria das pessoas entende a gravidade do problema. Segundo ele, não há pânico, mas também não há quem comungue da opinião de que é apenas “uma besteirinha”, e que a grande maioria das pessoas, antes mesmo de se tornar uma exigência do governo, já estava mantendo um distanciamento social, usando luvas e máscaras, além de não se cumprimentarem com as mãos, somente com o cotovelo. A partir do momento que essas medidas se tornaram obrigatórias, as pessoas que por algum momento não têm uma máscara a sua disposição, estão usando um lenço para cobrir o nariz e a boca, “isso é obrigatório e fiscalizado pela polícia”, comenta.

Embora a grande maioria esteja ciente da situação, Daniel comenta que, assim como acontece em outros países, em Israel há uma pequena exceção em algumas comunidades judaicas ortodoxas: “Lamentavelmente, tem alguns líderes rabínicos que dizem que isso tudo é uma besteira e que basta ter fé em D’us”. Em contrapartida, a maioria dos líderes rabínicos leva em conta a gravidade do problema e orienta a população a manter as regras e a não irem para a sinagoga no Shabbat, “e sabemos que essa é uma questão dificílima no mundo rabínico, porque Israel é um país judaico, e esses líderes têm uma influência grande sobre as pessoas”.

Como as orientações do governo não foram seguidas em algumas cidades, comunidades ou bairros ultra ortodoxos que descumpriram as regras do isolamento, a fiscalização policial está sendo intensificada nestes locais, impondo o fechamento total dessas comunidades, com as pessoas não podendo sair às ruas. Segundo Daniel, os lugares onde os números de infectados continuaram a crescer foram justamente nestas comunidades ultra ortodoxas, o que fez com que o governo agisse de forma mais severa. Ele conta que isso aconteceu porque em muitas dessas comunidades as pessoas vivem praticamente sem contato com o mundo externo, porque eles não têm celulares, não têm internet e não veem TV. “Parece meio louco, mas elas não têm. Então, não tiveram acesso às informações e não estavam sabendo de fato o que estava acontecendo. Agora, com a informação chegando lá, estão entendendo. Os rabinos estão reforçando que é importante esse distanciamento, e pouco a pouco as regras estão sendo respeitadas”.

A rotina diária nas cidades israelenses inclui a organização das pessoas e dos estabelecimentos comerciais. Nas farmácias e nos supermercados há sempre um segurança que fica contando quantas pessoas entram. A medida foi adotada para assegurar que não se ultrapasse a quantidade máxima permitida de acordo com o tamanho do local. “Na minha cidade, o governo tratou de colocar linhas que demarcam os dois metros de distância entre uma pessoa e outra nas filas que se formam do lado de fora dos supermercados e das farmácias. Além disso, o governo acionou o exército. Aqui, o serviço militar é obrigatório, e atualmente é usado para duas questões: a primeira, um projeto para entregar cestas de comidas para os idosos que estão em risco. Estão entregando 54 mil cestas básicas com comidas e produtos essenciais, e fizeram isso especialmente antes de Pessach, que foi no dia 08 de abril, e que é uma comemoração muito importante em Israel. Então, como muitos passaram sozinhos em casa, não tinha nem como sair de casa para comprar uma matza ou coisas do gênero. Os idosos têm sido ajudados pelo exército e isso tem funcionado. A outra coisa para a qual o exército foi convocado é para aliviar a rotina de quem trabalha como caixas de supermercado. Eu sei que parece engraçado, mas essas pessoas têm trabalhado muito, têm risco de saúde, então os soldados têm aliviado a carga deles”.

Segundo Daniel, o exército também foi convocado a trabalhar junto com a polícia, para auxiliar na fiscalização nas comemorações de Pessach, que foi na noite da última quarta-feira, dia 08 de abril. Como essa é uma data comemorada em família, geralmente reunindo de 20 a 30 pessoas numa única casa, este ano, por causa da covid-19, o governo pediu que as comemorações de Pessach acontecessem exclusivamente com os membros da família de uma mesma casa, evitando deslocamentos e aglomerações maiores de pessoas. Houve bastante fiscalização, com as ruas principais sendo bloqueadas.

“Estão fiscalizando mesmo, e quem está desrespeitando é multado em 500 shekels, o que dá quase 1600 reais hoje em dia. Dependendo do caso pode levar também seis meses de prisão. Na última vez que conferi, as multas haviam rendido quase 13 mil shekels, o que dá, mais ou menos, umas 26 pessoas multadas. E por causa das multas, as regras do governo têm sido mais respeitadas. Claro, tem alguma ousadia por aí, nas ruas, mas bem pequena”.

Ao traçar um paralelo entre as realidades brasileira e israelense, Daniel diz que não tem como comparar os investimentos em educação e saúde. Ele lembra que a educação em Israel é pública e se destaca internacionalmente, sendo obrigatória a partir dos três anos de idade, “então se eu continuar a morar aqui em Israel, a partir do ano que vem o meu filho recebe desde o jardim de infância uma educação gratuita do governo”. Segundo ele, todos os serviços essenciais são públicos em Israel e, à exceção de duas únicas escolas privadas no país, todo mundo vai para a escola pública, onde a educação é de excelência, possibilitando a qualquer jovem entrar nas melhores universidades, e consequentemente levando a todos a ter um bom emprego e a serem bem remunerados.

“Estamos longe da perfeição. Posso te dizer que algumas escolas privadas no Brasil até são melhores que algumas da educação pública em Israel, mas também temos escolas públicas aqui em Israel que são bem melhores que as escolas particulares brasileiras. A questão é que aqui em Israel você vê que a educação funciona. E é gratuita até a universidade. Da universidade em diante, já é paga”.

Questionado sobre o impacto do isolamento social em sua rotina e na de sua família, Daniel diz que como já faz uns quatro anos que trabalha em casa, online, embora estejam em isolamento desde o dia 15 de março, o impacto é pequeno. Para o professor de Cabala, a questão principal neste momento é auxiliar seus alunos a lidarem com a transformação imposta pelo isolamento, fazendo com que a paralisação parcial ou total das atividades gere o menor impacto possível na saúde financeira e econômica destes alunos.

“Nesse período de isolamento social, estou tentando ajudar vários dos meus alunos a continuar trabalhando de forma online para que tenham o menor impacto possível em suas rendas. Acho que ajudar pessoas que nunca trabalharam online é um desafio e um ensinamento muito grande. Também tenho procurado auxiliar e orientar pessoas que são assalariadas e que precisam ir para um lugar, ou ainda outras que foram demitidas e que só tinham uma fonte de renda. Ajudo essas pessoas, mostrando a elas a facilidade de poderem ganhar dinheiro online, fazendo um trabalho honesto, seja algo novo e paralelo ao que já faziam no seu dia a dia, ou até mesmo indicando caminhos de como vender serviços e produtos para que possam ter uma nova fonte de renda, para que não fiquem sem ganhar nada”.

Em Israel quase um milhão de pessoas ficaram desempregadas nesse período. Nesse cenário, com a esposa e o filho de quase três anos em casa, ele tem procurado manter suas aulas e orientações online, não sem admitir que atualmente o seu ritmo de trabalho seja outro por conta das interrupções e da atenção que precisa dispensar ao filho: “Estou revezando com a minha esposa, embora seja principalmente ela a tomar conta dele. Ela ia começar um trabalho no dia 15 de março, quando começaram as restrições, aí o chefe falou pra ela: ‘olha, eu vou ter que começar a demitir pessoas, eu não vou conseguir contratar você’. Então ela acabou ficando em casa”.

O desemprego levou o governo de Israel a providenciar uma ajuda financeira para todas as pessoas que tenham perdido seu trabalho ou que estejam em férias não remuneradas. Embora o auxílio alivie o peso das perdas, ele não preenche a totalidade do buraco que as pessoas estão tendo em seus orçamentos. Dentre as medidas de diminuição do impacto financeiro na vida das pessoas, o primeiro ministro também decretou que toda a família recebesse um presente destinado às comemorações de Pessach, 500 shekels por criança, até quatro crianças por família: “Eu, por exemplo, tenho um filho, e vai entrar na minha conta 500 shekels. Vai demorar um tempinho, mas vai entrar para ajudar com essa situação. E para depois deste período, quando tudo isso passar, estão pensando numa reforma financeira para o país inteiro, porque aqui se está criando uma cratera de bilhões de shekels, como tem sido no mundo todo”.

Uma das questões importantes apontadas por Daniel na realidade israelense é que o primeiro-ministro entendeu bem rápido a necessidade de o país parar no início da pandemia, evitando um desastre total como o que aconteceu na Itália e em outros países. Para ele, o governo entendeu ser melhor as pessoas pararem de trabalhar agora para evitar que morram e para que possam voltar o quanto antes a normalidade de suas vidas. Esse entendimento levou o governo a aceitar que de qualquer forma haverá uma perda financeira para o país, mas que é melhor ter uma perda financeira agora, preservando a vida das pessoas, do que perder financeiramente depois em detrimento da perda das vidas das pessoas.

Questionado sobre o que pretende fazer quando isso tudo passar, Daniel diz que ele e a esposa sentem falta de brincar com o filho no parquinho e de poder passear pelas ruas. O casal não tem carro, ela usa um patinete elétrico e ele uma bicicleta elétrica que tem uma cadeirinha atrás para o filho Benjamin. A diversão da família no final de semana – o final de semana em Israel é na sexta e no sábado, domingo se trabalha – sempre foi pegar o patinete e a bicicleta e irem para a praia, num trajeto que leva uns vinte minutos, e é isso que eles pretendem voltar a fazer quando isso tudo terminar, “nem que seja só para dar uma volta quando a água está gelada e não dá para entrar no mar, ou mesmo ir para um parque, porque Israel tem muitos parques e cidades bem arborizadas. E de repente, não temos mais isso, temos que ficar presos em casa, na expectativa de que isso tudo acabe logo”, finaliza.

Os seguintes depoimentos já foram publicados:

Domingo, 22 de março: Dia 1. Ivory Junior: A China

Segunda-feira, 23 de março: Dia 2. Gleisa Fontoura: A Itália

Terça-feira, 24 de março: Dia 3. Martin Heuser: A Finlândia

Quarta-feira, 25 de março: Dia 4. Airton Ortiz: Israel

Sexta-feira, 27 de março: Dia 5. Estevan Stegues: Espanha (parte 1)

Terça-feira, 31 de março: Dia 6. Gilson Scolari: Alemanha e Portugal

Quarta-feira, 01 de abril: Dia 7. Gustavo Majewski: Noruega

Sexta-feira, 03 de abril: Dia 8. Carolina Pamplona: Holanda

Segunda-feira, 06 de abril: Dia 9. Pedro Velho: França

Daniel e Benjamin

Daniel Kwintner com o filho Benjamin / Divulgação

 

Um comentário sobre “Brasileiros falam sobre o coronavírus em diferentes países. Dia 10. Daniel Kwintner: Israel

  1. Depoimento muito esclarecedor ..principalmente para aqueles que ainda não acham o distanciamento social primordial
    Bela report agem!

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