Excertos de reflexões diárias sobre estes tristes tempos

11 de novembro

Não estou conseguindo digerir nem lidar com os terríveis acontecimentos que cerceiam os direitos à educação, à saúde e principalmente à liberdade dos brasileiros. A agressão sofrida hoje por um ator do grupo Falos & Stercus, aqui em Porto Alegre, e praticada por um secretário do governador Sartori, também me deixou atônito, deprimido. Essa agressividade gratuita, desmedida e premeditada sob os (des)mandos dos característicos governos golpistas e sanguinários, despertou em mim uma sensação que sabia já ter experimentado anteriormente, mas cuja origem até então não conseguia identificar. Me perguntava como podia ter experimentado essa sensação se eu não vivera até então em uma ditadura como a que agora se instala no Brasil. Há pouco, conversando com uma amiga, me deu um insight. Essa sensação de medo e desespero, de desesperança na humanidade, eu vivenciei quando visitei os campos de concentração de Auschwitz e Majdanek, na Polônia. Exatamente o que senti lá é o que sinto diariamente nos últimos meses com o avanço e o crescimento de uma vertente política que prega a barbárie e o aniquilamento de programas sociais que procuram diminuir a distância cultural, educacional e econômica que separa a maioria da população da minoria que sempre mandou neste país.

10 de novembro

Dia 09/11 fui na Saraiva da Andradas comprar uns livros (dias 09, 19 e 29 a loja dá 20% de desconto). No caixa, uma dondoca acompanhada da filha, com os livros do Sérgio Moro que queria levar, brigando, exigindo o desconto que a atendente já havia lhe dado, mas ela queria mais 20% em cima dos 20% que recebera, ou seja, queria arrancar 40% de desconto. Petulante, arrogante, bem maquiada, bem vestida, roupa cara, perfume caro, ensinava à filha a como (mal)tratar os, sob sua perspectiva, “subalternos”. Ao ver que não conseguia, jogou os livros no caixa e saiu da loja. Provavelmente foi gastar seu dinheiro com camisas da Dudalina ou da Lacoste, sem pechinchar, claro. E o engraçado é que nem ela quer pagar o preço cobrado para ler o que o Moro escreve em seus livros, ou o que dizem sobre ele os que o defendem. A moça do caixa comentou que ela sempre faz isso. Comentei então que o comportamento explicava o autor que ela tentava comprar, e vice-versa. É essa gente que ajudou a afundar o Brasil.

10 de novembro

mesa

Duas coisas a serem ditas sobre ontem e hoje. Neste mestrado do PPGAC/UFRGS tenho convivido com pessoas especiais, zelosas, inteligentes, sem exceção. Tenho feito amigos entre meus colegas de estudo que têm me ensinado algo muito mais valioso do que as coisas que tenho lido nos livros. E tenho lido coisas igualmente valiosas que tem me mostrado o verdadeiro valor das pessoas. E nestas relações calorosas tenho aprendido que no mundo há muito mais gente de valor do que gente que costuma colocar um preço sobre si como se fossem mercadorias (elas existem e transitam por aí). As trocas são espontâneas, os sorrisos são verdadeiros, os olhares são transparentes e os abraços aquecem a alma. A aula de hoje de manhã da qual participei por um momento, mesmo nao cursando esta disciplina, foi intensa. A Simone Rasslan me levou a outra dimensão. Foi lindo. Daquelas coisas que só os sensíveis sentem e entendem. Obrigado a ela é aos colegas de estudo por tanta lindeza e esperança no futuro apesar destes tristes tempos. E o que tem a ver uma mesa vazia com tudo isso? Bem, a mesa é do jantar de ontem, cuja companhia que tive é também da ordem do sublime, mais um presente precioso que o mestrado me deu a conhecer e cujas qualidades vão muito além de um olhar bonito, de um jeito tranquilo e de um nível de compreensão que extrapola qualquer coisa esperada ou desejada em uma pessoa, e que são difíceis de encontrar nos dias de hoje.

08 de novembro

Após reunião com minha orientadora chego em casa e fui dar uma pesquisada na nova lista que contempla/acrescenta cinco autores que preciso utilizar na dissertação do mestrado e quase todas as obras estão acima de cem reais. #estudarcustacaro mas não estudar pode ser mais caro ainda. Só esperando rolar uns frilas…

30 de outubro

Quantas formas de prostituição existem?
Se alguém pensa que se prostitui só aquele/aquela que se assume como tal e que de forma direta troca sexo por dinheiro, tá muito enganado. Existem muitas subjetividades em algumas relações que indicam claramente uma troca de favores sexuais por outros benefícios, como conforto, viagens, trabalho, etc. A psicologia explica isso. Por isso, antes de hipocritamente criticar quem honestamente trabalha como profissional do sexo, pense bem se em suas relações familiares ou de amizade não existe alguém que subjetivamente esteja usando de seus atributos sexuais para conseguir o que quer. Neste sentido, é muito mais honesta a pessoa do primeiro exemplo que a do segundo, não concordam?

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