A caridade assistencialista que gera publicidade

Hoje, enquanto me exercitava na esteira da academia, na TV passava o comercial 2016 do Médicos Sem Fronteiras. O ritmo acelerado da caminhada, embalada pelo batente da música ambiente, contrastava das imagens da TV, que eu acompanhava lendo a legenda. De súbito fui tomado por um misto de impotência e tristeza, e minhas pernas já não conseguiram acompanhar a velocidade que me puxava para um andar quase corrido. Cambaleei e tive que parar para tomar água. Foi uma sensação de quase desmaio, fiquei tonto e minhas vistas se escureceram por alguns segundos. Estava naquele momento pensando nos míseros problemas que nos afetam diariamente quando saltou aos olhos o que é de fato a miséria humana. Um soco no estômago que fez meus joelhos tremerem, há pouco recuperados de uma prática inadequada de determinado exercício. Me dei conta do quanto nossos problemas são pequenos perto do que passam essas pessoas. O que eu lamento disso tudo, é saber que o que se passa no Haiti, nos países africanos e em outras partes do planeta, até mesmo nas periferias do Brasil, é algo que poderia ser prontamente resolvido com políticas públicas de distribuição de renda, priorizando programas de saneamento básico, saúde e educação de qualidade. Mas os mandatários que poderiam de fato pôr um fim nestas tragédias são os mesmos que matam milhões e depois salvam alguns poucos com a caridade assistencialista que lhes serve para uma posterior publicidade de suas “boas ações”.

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