Sobre política e relações pessoais

18/03/2016

Meu pai foi filiado ao antigo PDS no interior do Paraná e teve uma breve carreira política na década de 1980 (mal sucedida diga-se de passagem). Eu lembro como eram os encontros, tanto lá em casa quanto na casa de seus companheiros políticos. Não havia projeto político, o que havia era um projeto de manutenção de privilégios e de combate aos que eles chamavam de vagabundos.

Naquele período Lula começava a ganhar projeção nacional, e já naquela época o ódio ao PT, à Lula e aos movimentos sociais, era grande. A classe média e a mais abastada, incitada pela Rede Globo (os meios de comunicação já trabalhavam para criminalizar os movimentos sociais), nutria um ódio generalizado pelos movimentos sociais e por todo e qualquer projeto de inclusão social. No oeste do PR vivíamos em uma região onde uma imensa fazenda havia sido ocupada pelo MST (posteriormente desapropriada), e seus integrantes eram hostilizados, chamados de vagabundos. Mas lembro também que estes mesmos integrantes do MST fizeram girar a economia da região, com movimentos em supermercados, lojas de vestuário e no setor de transportes. Meu pai tinha um mercadinho e fui algumas vezes com ele entregar o rancho do mês para várias destas famílias assentadas (à exceção de um ou outro, a grande maioria pagava em dia). Meu pai também teve um posto de combustível, duas colheitadeiras e dois ou três caminhões, realizava a colheita para os agricultores e fazia fretes em épocas de safra.

Historicamente houve, e ainda há, um conluio das classes dominantes que, através dos meios de comunicação sempre incutiram na cabeça da classe média que a ascensão dos menos favorecidos implica em perda de direitos e conquistas destes que estão no meio da pirâmide. Sabem os barões da mídia, aliados a grandes empresários de outros setores, que um verdadeiro projeto social, a exemplo do que acontece em vários países, implica em perda, não de direitos, mas de exageradas e ilícitas vantagens concedidas aos conglomerados empresariais e financeiros. O que fazem estes então quando se sentem acuados? Jogam a classe média desavisada e parte da grande massa manipulada (com pouco ou nenhum conhecimento histórico) principalmente pelas organizações Globo, contra a grande maioria que está abaixo da pirâmide. Enquanto isso os grandões, intocáveis, assistem de camarote o circo pegar fogo.

E é o que temos hoje, uma imprensa que alimenta o ódio e joga uns contra os outros. A luta que vemos não é contra a corrupção. Assim eles fazem parecer ser. Sim, eles sabem que, teoricamente (digo teoricamente porque canso de ver gente bradando contra a corrupção mas praticando pequenas ilicitudes diárias) ninguém tolera a corrupção, então tentam tornar este o governo mais corrupto que o país já teve. Sério que você acredita nisso? Jogam o povo na rua gritando contra a corrupção quando na verdade o objetivo é detonar um governo que, apesar dos muitos tropeços que deu, continua ameaçando o poder hegemônico de instituições. O que existe é um medo generalizado das altas esferas porque sabem que tudo o que fazem é por caminhos tortos e em benefício próprio. Nada é pelo social. Vejam a vergonha do nosso judiciário. Vocês sabem de seus benefícios e vantagens? Vejam a grande maioria de nossos deputados e senadores. É normal a vida nababesca que levam? Vocês acham que é para a população que de fato trabalham? As relações vergonhosas que estes mantém com setores privados, muitos deles inclusive sendo donos de meios de comunicação, entre outros negócios duvidosos. Vocês acham normal num país com as dimensões do Brasil termos um único grupo de comunicação monopolizando (e manipulando) a informação? Não gente, isso não é normal. Precisamos de uma reforma política urgente, e precisamos também de uma democratização dos meios de comunicação. O governo precisa resolver isso o quanto antes. Antes que seja tarde!

16/03/2016

Algumas regrinhas básicas que podem ajudar a melhorar a vida de algumas pessoas, porque olha, eu aprendi muita coisa nessas quase quatro décadas de caminhada. Algumas eu aprendi em casa, outras na escola, mas a grande maioria eu aprendi com a vida – e eu já andei muito por este mundo afora. O tempo e a vida são os senhores da razão, e nos mostram sempre que o que vale a pena mesmo é a consciência que se tem do poder de nossas atitudes. A forma como agimos pode mudar destinos, inclusive, e principalmente, o nosso, para o bem ou para o mal. Então, escolha sempre fazer o bem, mas o faça de coração aberto. Seja leal, honesto, transparente com você mesmo, porque agindo assim, as relações, sejam elas quais forem, fluirão, e você nunca ficará sozinho, nunca se sentirá confrontado ou acuado pelo contraditório das próprias palavras ou atitudes. Leveza é quando a vida flui sem o medo de sermos pegos numa teia de mentiras tecidas por nós mesmos. Ok, atire a primeira pedra quem nunca contou uma ou outra mentira, quem nunca tentou dar uma floreada na própria história para parecer mais atraente ou para esconder um ponto fraco, mas cuidado para isso não se tornar rotina, porque repetir mentiras só fará você pular de um lugar a outro fugindo de si mesmo sem nunca encontrar sua própria verdade. Aceite e não reprima seus desejos (e divida-os com o parceiro ou parceira), aprenda a identificar suas fraquezas para crescer com elas. Claro, há coisas a respeito de nossas vidas que dizem respeito somente a nós e aos mais próximos; mas há coisas a nosso respeito, dependendo da forma como nos comportamos, que afetam a vida de outras, em um efeito cascata, e elas então podem se tornar públicas. Não engane, nem a si e nem aos outros. Nada melhor nesta vida do que agirmos com naturalidade, aceitando nossa história e aquilo que somos. E principalmente aceitando o outro como ele é. Não devemos nos envergonhar de nada que não seja ilícito ou desonesto. Ser pobre não é ilícito, ser gay não é feio, ser magro ou gordo não é defeito (afinal, o que é um defeito?), não descender de uma família nobre não faz a menor diferença, ser órfão não é vergonhoso. Retribua com amor o amor que lhe dão, e jamais cuspa na mão que lhe foi estendida. Não queira passar a vida escondido ou escondida num armário com medo do que os outros vão pensar se conhecerem sua essência. Afinal, é muito mais feliz aquele que trilha uma caminhada iluminada pelo sol do que aquele que rasteja por caminhos escuros para não deixar rastros.

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