Abandono, intrigas e apadrinhamentos marcam atual gestão da CCMQ

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Desde o início da nova gestão, a comunidade cultural está de olho na programação oferecida pelos diferentes espaços da Casa de Cultura Mario Quintana. Acostumados com a direção anterior e com o diálogo que acontecia entre os diferentes setores da casa, que em sintonia privilegiavam uma agenda de fomento às diversas manifestações artísticas, os frequentadores da instituição agora reclamam da falta de investimento do atual governo e da falta de incentivo e de oportunidades dos atuais dirigentes do centro cultural.

Para se ter uma ideia, as exposições apresentadas em 2015 que foram sucesso de público e crítica faziam parte da programação preparada ainda pela gestão anterior. O fato de a gestão atual ter levado adiante a agenda preparada pelos administradores que ficaram na casa até 2014 é um ponto positivo. No entanto, uma das principais reclamações da comunidade artística é que, passado um ano, até o momento a equipe diretiva da casa não lançou sequer um edital de ocupação dos espaços. Edital esperado principalmente por se tratar de uma casa de cultura pertencente ao governo do Estado.

Até meados de 2015, artistas telefonavam para o centro cultural em busca de informações sobre os editais de ocupação dos espaços, mas eram enrolados com várias desculpas. Uma funcionária, não suportando mais ser orientada a mentir para artistas e coletivos, pediu para deixar a função.

Segundo fonte da própria CCMQ, que pediu para não ser identificada, não houve contratação de equipe jurídica e técnica, nem formação de comissão para avaliação de projetos. Segundo ela, os projetos que entram na agenda da casa são apadrinhados, projetos de amigos, de amigos de amigos. Decisões nem um pouco democráticas tomadas com o consentimento e o aval do diretor da casa e do presidente da Associação dos Amigos da Casa de Cultura Mario Quintana. “Não há interesse em qualificar os projetos apresentados na casa, nem em fazer um processo seletivo, chamada pública, ou convênio com as universidades. E acho que o Sated/RS e a comunidade cultural precisam saber disso para pressionarem para que se cumpra uma agenda de ocupação dos espaços através dos editais”, disse a fonte ouvida pelo blog.

O clima tenso e pouco amistoso não é de hoje, com baixa no quadro de funcionários desmotivados, que reclamam terem sido chamados de incompetentes, sem as devidas orientações e acompanhamento de suas funções, com punição aos eventuais “culpados” quando algo não acontece como o esperado. Um deles inclusive tendo sido chamado de vagabundo. Outra reclamação que parte de dentro da instituição diz respeito à ausência da direção da casa, sempre envolvida com atividades e compromissos pessoais. “Se o cara é tão ocupado com cursos, vai ter dias em que estará ausente, e como é que não se deram conta disso?” questiona uma funcionária.

Além dos relatos acima, há ainda a reclamação de desentendimentos com os responsáveis pelos espaços comerciais da CCMQ. O episódio mais recente culminou no fechamento da bomboniere que ficava em um simpático e diminuto espaço da casa, na Travessa dos Cataventos, e que mantinha uma clientela cativa e assídua. O motivo oficial seria uma reforma do espaço, o que é desmentido por um funcionário. A ordem de retirada teria sido uma vingança pessoal motivada por picuinhas e desentendimentos pessoais entre o permissionário e CCs da casa, afirmam frequentadores do espaço e clientes que agora se dizem órfãos.

A situação da Casa de Cultura Mario Quintana reflete algo comum no Brasil: a nomeação de pessoas cujo ego é maior que o preparo para gerirem espaços públicos. Infelizmente essas nomeações acontecem para atender a demanda das promessas de empregos feitas durante as campanhas eleitorais. O resultado é a indicação de pessoas sem conhecimentos técnicos, sem habilidades, sem envolvimento afetivo e sem diplomacia no trato com os colegas de trabalho, geralmente subalternos.

A prova de que é possível formar uma equipe qualificada e em sintonia está em duas gestões anteriores da própria CCMQ. A primeira delas teve a frente o saudoso Sérgio Napp, que nos deixou recentemente, numa nomeação acertada do PMDB em três oportunidades. A segunda gestão que se tornou símbolo de diálogo com a comunidade artística, atendendo as demandas da mesma, aconteceu entre 2011 e 2014. E talvez por terem sido tão recentes estes acertos, os tropeços cometidos atualmente deixam os frequentadores e funcionários da casa esperançosos de novos ares e rumos mais promissores a partir de 2016.

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