Sartori: A grotesca performance de um governador

Foto de Fabrício Bittencourt Souza

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Gilberto Icle, professor da Faculdade de Educação da UFRGS, em seu artigo Da Performance na Educação: Perspectivas para a pesquisa e a prática (2013), nos diz que “os Estudos da Performance oferecem uma rica gama de possibilidades, na qual a performance e a performatividade aparecem como instrumentos pelos quais é possível pensar as relações sociais, as políticas públicas, as identidades de gênero e de raça, a estética, a infância, o currículo, os rituais, a vida cotidiana, entre outros.” Como professor, educador, mas principalmente como espectador, estou atento à atuação do governador José Ivo Sartori. Com um olhar crítico, desde os tempos de campanha analiso cada ato de sua performance. Naquela época, o então candidato apresentava um silêncio revelador, o que já correspondia a meios de nos dizer sobre seus reais interesses.

Desde que assumiu como governador do RS, e mais recentemente com ações controversas, vergonhosas e questionáveis manifestações públicas, Sartori vem criando uma atmosfera perturbadora e angustiante, adotando medidas que empurram o Estado e sua população para a miséria. E tenho pensado bastante em nosso governador nos últimos dias, principalmente depois de ler A Encenação Contemporânea (2013), de Patrice Pavis. Ao refletir sobre o personagem do Avarento, encenado por Georges Werler e interpretado por Michel Bouquet, Pavis diz que “‘O Avarento da época’ entrega-se à exposição ‘natural’ de sua avareza, tanto em palavras como em ações”.

Foto de Fabrício Bittencourt Souza

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Com uma performance de quem está em cena pela primeira vez, sem nunca antes ter pisado num tablado para aulas de interpretação, demonstrando amadorismo, mas desejando o reconhecimento, valendo-se do improviso para impressionar o público, a atuação de Sartori é exageradamente imoral e escandalosa. Como resultado, temos uma atuação grotesca (ridícula, absurda) até mesmo para os que, quando nele apostaram, acreditavam dar uma chance a uma estrela. Ao debochar dos espectadores, a pergunta que fica é: a quem exatamente o governador quer impressionar? Não que não saibamos, claro.

Foto de Fabrício Bittencourt Souza

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No fundo, as medidas adotadas até o momento nada mais são que a comprovação daquilo que já sabíamos: Como possível enxugamento do estado, desejando extinguir ou privatizar importantes instituições públicas (como a Fundação Zoobotânica), Sartori tenta nos convencer da desnecessária existência de instituições reconhecidas e conquistadas a duras penas pela sociedade. E para tentar arregimentar adeptos à sua sanha de desaparelhar o estado, sua tática têm sido jogar a população contra os funcionários públicos. Mas a sociedade sabe da importância, não só da manutenção destas instituições, como da necessidade de investimentos cada vez maiores em instituições como a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, onde alunos estão há três meses sem receber as bolsas de pesquisa, monitoria e extensão, num ato de crueldade que também pode ser traduzido pelas palavras de Patrice Pavis (2013), “O mal gosto, a crueza, que chega à crueldade, mas também o cômico (…) e a teatralidade estão no próprio centro desse ato de violência. Deixam o espectador, senão sonhador, pelo menos espantado por essa aliança inédita entre o horrível e o lúdico.” E entregamos o RS a um inconsequente e irresponsável performer que já ultrapassou os limites do aceitável.

Foto de Fabrício Bittencourt Souza

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