E morreram os dois

Joel caminhava na Rua da Praia, nas proximidades da Praça da Alfândega, no Centro de Porto Alegre, quando ouviu um estampido. Olhou então em direção ao MARGS, onde a correria era grande, com gente fugindo por todos os lados. Em frente ao museu, um corpo caído se arrastava com certa dificuldade. Vinha em sua direção. Joel correu em seu socorro. Ao aproximar-se, na expectativa de levar ajuda à vítima, foi baleado por ela. O tiro atingiu-lhe em cheio o peito. Joel caiu ali mesmo, sem qualquer chance de defesa. Aos poucos, o sangue dava um colorido bonito àquela trágica cena ocorrida em um dia cinzento do mês de julho, em um ano cujo inverno era dos mais rigorosos. E morreram os dois. O primeiro, que de vítima nada tinha, fora alvo da justiça feita por um policial militar de boa mira que o alvejou disparando de uma considerável distância. Estava na Rua Sete de Setembro, na esquina do Santander Cultural. O segundo, um jovem e bonito instrutor de Pilates que trabalhava no edifício do Clube do Comércio e voltava de um café, fora vítima por duas vezes. Primeiro, de suas boas intenções. Segundo, de um bandido de alta periculosidade que na manhã daquele mesmo dia havia fugido da Penitenciária Estadual de Charqueadas.

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