Meu aluno Pedro Greczinski

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Às vésperas de completar 20 anos da conclusão do meu Ensino Médio, o Magistério, revisito as lembranças de meus alunos do estágio realizado na Escola Estadual de 1º Grau Incompleto São Estanislau, uma escola rural no interior de Guarani das Missões, Rio Grande do Sul. São cartas, bilhetes, cartões e fotografias devidamente organizados em dois álbuns guardados desde então. Muita coisa aconteceu em minha vida nestes quase vinte anos, mas o período passado com aquela turma deixou marcas que ajudaram a ser quem sou. Todos os alunos foram para mim muito importantes, e na medida do possível falarei sobre cada um deles, mas hoje quero falar do Pedro Dian Greczinski (ou Pedro Djan).

Diogo Zalewski e Pedro Greczinski

Diogo Zalewski e Pedro Greczinski

Em uma região de pequenos agricultores, Pedro morava sozinho com seu pai em uma vila com não mais que algumas dezenas de habitantes, a Linha Harmonia. Não recordo se era órfão de mãe. Trazia consigo certa revolta e agressividade, mas sempre foi um aluno esperto, muito inteligente. E apesar da referida agressividade, reflexo de uma carência latente, sua generosidade vinha à tona quando chamado ao diálogo. No fundo, sua revolta era uma forma de chamar atenção em sala de aula para o que acontecia fora dela. Em aula, como habitualmente terminava as atividades com antecedência, agitado que era, sobrava-lhe tempo para dificultar a vida dos colegas. Coisas corriqueiras e normais que acontecem em qualquer escola. E como era difícil fazê-lo entender que o ambiente escolar, para funcionar, precisava da colaboração de todos. Lembro de passar horas em conversas intermináveis com ele, mas lembro também, até hoje, e como se fosse hoje, de sua atenção redobrada ao que eu lhe falava. No fundo, era isso que ele precisava: atenção. E minha satisfação era perceber o resultado de nossas conversas. Mesmo que fossem resultados passageiros, porque, transcorridos alguns dias, sua personalidade agitada aflorava e eu voltava a chamá-lo para o diálogo. E assim foram os seis meses que passamos juntos. Pedro, para além de suas peripécias de menino levado, o que inevitavelmente gerava alguns confrontos e conflitos, era uma criança extramente carinhosa e sedenta de vida. E às vezes, como hoje, me pego pensando o que a vida terá lhe reservado. Espero que coisas boas. E que seu futuro, hoje presente, tenha sido mais generoso com ele do que o passado. Que suas feridas tenham cicatrizado. Que a vida tenha lhe dado boas oportunidades, porque Pedro foi, sem sobra de dúvidas, um aluno excelente. Se assim não fosse, não o traria comigo até os dias de hoje.

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Um comentário sobre “Meu aluno Pedro Greczinski

  1. muito lindo seu comentario, lembro de vc,sua irmã,lembro de sua mae e muitas excursões fizemos com seu pai.tenho um programa de radio aos domingos e vai ser bom lembrar de sua familia.um grande abr a tdsd.a irmão gracia tá aqui sempre trabalhando ,hoje ela cuida das flores na casa das irmãs que fica a uma quadra de minha residencia

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