UERGS: Sartori está sabendo que não contará com o silêncio, tampouco com a falta de atitude dos que defendem a instituição

Foto de Mariane Rotter

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O povo gaúcho não abre mão da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), e o governador precisa ouvir o que a sociedade tem a dizer. No dia 29 de maio, professores e alunos (na companhia de seus familiares) das 24 unidades da instituição espalhadas pelo interior do RS estiveram em Porto Alegre manifestando seu descontentamento com as medidas tomadas pelo atual governo, que estrategicamente não fala no fechamento da universidade, mas diz que está revendo o papel das fundações (caso da Uergs), cujas contratações dos funcionários são em regime Celetista.

Foto de Mariane Rotter

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Sabemos que o fechamento da Uergs só não aconteceu ainda pelos gritos que ecoaram dos diferentes rincões clamando pelo bom senso de José Ivo Sartori. Mas se a instituição não foi fechada, o governo tem dificultado ao máximo a vida da comunidade acadêmica. E em detrimento dos problemas que a instituição vem enfrentando desde o início da atual gestão, a unidade universitária de Montenegro realizou uma Caminha em Defesa da Uergs no último dia 03 de junho. Formada por alunos, professores, funcionários e comunidade, teve como principal objetivo dar visibilidade às dificuldades enfrentadas pela demora e cortes no repasse de verbas e pelo não pagamento dos salários no dia 02 de junho pelo governo do Estado. As bolsas de monitoria, pesquisa e prodiscência, entre outras verbas que garantem o bom funcionamento das aulas, não estão sendo pagas. Alguns alunos choram e se desestabilizam emocionalmente durante as aulas. E sabemos que o enfraquecimento de uma instituição pública de ensino começa com o corte nas verbas. Não repassando os valores necessários para a pesquisa e demais atividades, o governo talvez aposte na silenciosa e gradual desistência dos alunos. Estes, por sua vez, estão cada vez mais convencidos da necessidade de lutar pelo fortalecimento da instituição. Desde que as verbas deixaram de ser repassadas os alunos são enganados com promessas de que o dinheiro será depositado na semana seguinte, na quinzena seguinte, no mês seguinte. E até agora nada. Estamos praticamente encerrando o primeiro semestre.

Foto de Mariane Rotter

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Essa situação de abandono e tentativa de precarização da Uergs me lembrou do trecho do poema “No Caminho, com Maiakovski”. Escrito na década de 1960 por Eduardo Alves da Costa, ilustra perfeitamente a ação do atual governo: “Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada”. Embora ilustre a tática sorrateira da atual gestão estadual, Sartori está sabendo que não contará com o silêncio, tampouco com a falta de atitude dos que defendem a instituição.

Foto de Mariane Rotter

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A Uergs é uma universidade de excelência, e fechá-la não deveria ser pauta de reunião nem meta de governo. Por isso sua manutenção não é uma luta exclusiva da comunidade acadêmica, mas de toda a comunidade gaúcha. Esperamos que o governador reveja seus planos, e que o quanto antes normalize o repasse das verbas para a instituição e regularize o pagamento dos funcionários. A educação (assim como a cultura, saúde e a segurança) não pode ser penalizada pelos erros cometidos por alguns governos. Queremos acreditar na sensibilidade do governador e pedimos seu empenho e dedicação, trabalhando para o fortalecimento desta instituição que, se ainda não é, deveria se tornar prioridade para o governo estadual.

Pra finalizar, é importante lembrarmos a recente manifestação da Juíza Andreia Terre do Amaral, da 3ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central de Porto Alegre, que determinou o bloqueio de R$ 38 milhões para que os valores integrais dos salários sejam pagos até o último dia do mês de maio sob pena de crime de desobediência. Disse ela: “Chega a ser leviano o argumento largamente utilizado por muitos gestores, de que lograram experimentar uma desagradável surpresa ao assumir a gestão do Estado, pois tal grave situação financeira lhes era desconhecida, quando, na verdade, sabe-se que as contas do Estado são públicas e delas deveria obrigatória e previamente tomar conhecimento todos quantos pretendam candidatar-se a geri-lo”.

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2 comentários sobre “UERGS: Sartori está sabendo que não contará com o silêncio, tampouco com a falta de atitude dos que defendem a instituição

  1. Pingback: Goldschmidt, Montenegro e a Arte na UERGS: Resistência e luta | anacarolinapontolivre

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