Um professor precisa ter sensibilidade

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Há quem diga que não. Há quem diga que é impossível e até mesmo desnecessário. Há ainda os que defendem certo distanciamento entre alunos e professor para que este se mantenha neutro, isento de qualquer influência em suas avaliações. Na contramão destes, defendo que um professor precisa conhecer, um a um, seus alunos. Precisa conhecer suas rotinas. Precisa saber o que fazem. Se trabalham ou não. Precisa entender a dinâmica de suas vidas. Precisa compreender que compromissos existem para além dos muros das escolas e das universidades.

Se um aluno não honra com os compromissos escolares, o professor precisa saber o motivo que compromete seu rendimento em sala de aula, até para poder ajuda-lo em suas escolhas e decisões. O professor precisa aprender a perceber, com o tempo, se a falta de comprometimento é resultado de problemas existentes na escola ou fora dela. O professor é aquele que orienta e que, estando próximo, mas olhando de fora, pode apontar um caminho seguro. Pode ser a bússola a nortear uma caminhada.

E para os alunos que conseguem um bom desempenho escolar, mesmo mergulhados no turbilhão das dificuldades diárias encontradas nas relações familiares e afetivas, na falta de um trabalho ou de um canto seguro para descansar depois de uma longa jornada, também para estes o professor pode ser o amigo que ajuda a mediar os conflitos e a encontrar soluções.

Um professor precisa saber se o aluno que tem em sala de aula é filho único ou se é um entre tantos. Se sua dedicação é exclusiva aos estudos ou não. Se é pai ou se é mãe. Se é órfão ou não. Um professor precisa tornar ou transformar a escola no ambiente mais agradável possível, fazendo com que o aluno tenha vontade de voltar todos os dias.

Um professor pode também apresentar alternativas, levando-os para um mundo desconhecido, tirando-os da rotina sempre que possível. O professor precisa conhecer e mapear os espaços do bairro e da cidade para aventurar-se em novas descobertas com seus alunos, com passeios e visitas, planejados ou não (se menores, sempre com autorização dos pais).

O professor não pode restringir suas aulas aos livros, muito menos ficar refém das tecnologias disponíveis que, sim, ajudam a tornar as aulas mais dinâmicas e atraentes. Mas o elemento surpresa precisa estar presente, e regras podem ser quebradas sempre que a agenda permitir, porque os alunos precisam aprender a apropriar-se dos espaços públicos, precisam sair de dentro das escolas e das universidades. Precisam aprender na e com a cidade, sobre seus perigos e seus encantos.

Um professor precisa ter sensibilidade para lidar com o diferente, para flexibilizar quando preciso e endurecer quando necessário. Um professor só não precisa apanhar de alunos, de pais de alunos ou de governantes, porque já sofre o suficiente com as inúmeras dificuldades no exercício de sua função, e principalmente com a falta de reconhecimento e apoio dos demais profissionais que por ele passaram quando buscavam uma formação.
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2 comentários sobre “Um professor precisa ter sensibilidade

  1. Nossa!!!! Lindo texto, exatamente o que cada professor deveria seguir, pelo menos, no que conseguir, com seus alunos… E o que tu, prof Cristiano, nos passou nesse tempo em que estivemos juntos… conhecer teus alunos, e com esse teu olhar HUMANO nos ajudou muito, cada um com a sua peculiaridade, com seu motivo diferente, mas a TODOS nós!!! Obrigada

  2. Demais esse texto! Tu és esse professor. Obrigada por toda ajuda que tivemos quando precisamos e pelo carinho que teve e tens por nós.

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