Prezada Rosane de Oliveira

Penso que a senhora deveria repensar seus conceitos. Seus conceitos sobre a educação, seus conceitos sobre a função do Estado para com a sociedade, seus conceitos sobre o papel das universidades públicas, mas principalmente repensar seus conceitos sobre como fazer um jornalismo sério, ético, comprometido com a verdade e a favor da comunidade.

Faço-lhe esse convite para repensar seus conceitos porque não é de hoje que acompanho seus tropeços e seus argumentos superficiais e quase sempre equivocados ao tratar de política, dentre outros assuntos sobre os quais vez ou outra a senhora costuma palpitar, mesmo sem o mínimo preparo e conhecimento.

A senhora possui um espaço privilegiado no jornal de maior circulação do Rio Grande do Sul, o Zero Hora, e é lamentável que não o utilize para tratar com seriedade de temas relevantes que, se tratados de forma leviana, podem impactar de forma negativa na vida das pessoas. Aliás, creio que talvez seja essa a primeira lição: a senhora precisa aprender sobre a responsabilidade que assume ao tratar com leviandade de assuntos que podem impactar de forma negativa na vida das pessoas e na sociedade em que atua.

Antes de publicar qualquer comentário, antes de emitir sua opinião, minha sugestão é que a senhora procure estudar um pouquinho sobre a realidade dos fatos, sobre sua história, sobre como as coisas se constituem ou se constituíram, sobre a relevância que determinadas iniciativas assumem numa sociedade e sobre o papel que elas cumprem para melhorar um país.

O problema se torna ainda mais grave quando, além de opinar, a senhora utiliza seu espaço para incitar o governador de um Estado a exterminar com instituições de ensino, como fez no último dia 04 de maio, sugerindo ao governador José Ivo Sartori que acabe com a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs).

Prezada Rosane de Oliveira, não é a Uergs que precisa ser repensada, são seus conceitos que precisam ser repensados. Preciso dizer-lhe que há momentos em nossas vidas em que a gente precisa se atualizar. Na verdade, como todos sabem, em qualquer profissão, precisamos de um aprendizado constante para não ficar para trás e para não corrermos o risco do ridículo. Esse aprendizado, apesar de nos dias atuais não considera-lo suficiente, pode ser empírico, pode dar-se através de muita leitura, mas também, e principalmente, por meio do ensino formal.

Talvez seja esse o momento oportuno para voltares aos bancos de uma universidade, não só em busca de uma atualização, mas também para entenderes a importância do papel que cumprem cada vez mais as instituições de ensino superior (principalmente as universidades públicas) em uma sociedade que preza por uma educação de qualidade e pelo fomento à pesquisa nas mais diversas áreas.

Acredito que tenhas aprendido sobre isso quando de sua formação. Mas acredito também que, decorridos tantos anos, possa ter esquecido algumas coisas que aprendestes quando estavas em sala de aula. Temos aí um motivo a mais para tentares uma nova oportunidade de estar entre professores e alunos, trocando saberes e experiências com gente cujos pontos de vista divergem dos teus.

Minha sugestão não é no sentido de que busques uma nova graduação, o que não seria de todo ruim, porque poderia contribuir bastante na sua atuação enquanto jornalista. Talvez possas buscar uma pós-graduação, desenvolvendo pesquisa sobre a ética profissional no fazer jornalístico, profissão cuja função maior é a da informação, e não a da opinião, esta última muitas vezes irresponsável.

Os jornalistas, acostumados a produzir e reproduzir conteúdos que abordam as diversas áreas do conhecimento, precisam estar atentos para não incorrer em superficialidades, distorções de fatos e inverdades. Mas precisam também, e fundamentalmente, entender que os leitores atuais já não são os mesmos de antigamente. Os leitores de hoje já conseguem perceber quando há tentativas de manipulações, já conseguem discernir o que é de fato notícia e o que se disfarça de.

Prezada Rosane de Oliveira, para finalizar, e apostando no seu bom senso, quero fazer-lhe um último convite. Se não há tempo para voltares a te dedicar a um novo campo de estudo, se não há tempo para buscares uma especialização, ao desenvolvimento de uma pesquisa que possa contribuir de verdade para o crescimento do RS, se a correria diária não lhe permite uma reciclagem; pelo menos use seu tempo e sua sensibilidade para defender as universidades públicas. Use seu espaço para defender a continuidade e o fortalecimento da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. Assuma seu erro e volte atrás, caso contrário, não nos resta outra conclusão a não ser acreditar que estás agindo de má fé e contra os gaúchos.

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