A História da Arte no Brasil nos séculos XIX e XX

O Instituto de Artes da UFRGS realizou recentemente o seminário “Escrever e Documentar – a nova História da Arte no Brasil, séculos XIX e XX”. A professora Sônia Gomes Pereira, da UFRJ, palestrou para um auditório que incluía alunos e convidados da comunidade, falando sobre a “Arte brasileira do século XIX ao início do XX: revisão historiográfica e estado da questão”. O objetivo de sua explanação foi mostrar a heterogeneidade da produção artística do período e a infinidade de obras a se conhecer, pesquisar e estudar.
 
Ao falar da Arte do século XIX no Rio de Janeiro, de como foi e ainda é estudada, comentou que atualmente existe um núcleo de pesquisas muito ativo, apesar de não muito grande, com um trabalho significativo que vai além da Escola de Belas Artes – EBA. Fora do Rio de Janeiro, destaca-se um grupo ligado à Unicamp. Ambos muito entusiasmados com os resultados das pesquisas que envolvem a produção brasileira desse período. Mais recentemente, houve também uma mudança bastante positiva no perfil dos alunos, com estudantes interessados que buscam atualizarem-se na arte dos séculos XIX e XX.
 
A História da Arte foi por muito tempo um campo considerado careta (os historiadores achavam uma coisa burguesa). Hoje, um dos desafios do curso é formar pesquisadores comprometidos com a área. Para a professora, a fonte maior da História da Arte é a própria obra, percebendo isso nos encontros e congressos dos quais participa, acreditando ser fundamental o trabalho a partir de acervos “palpáveis”. A graduação é o momento que o aluno tem para formar repertório – europeu e nacional – e para conhecer a Historiografia da Arte e a História da Arte propriamente dita. Saber fazer uma análise formal da obra é fundamental para os estudantes, que precisam também saber o que é, e como se faz uma pesquisa. Sua preocupação atual é com alguns modismos que podem estar interferindo no processo de criação e estudos da área, salientando o quão é importante considerarmos que há uma história ao longo do tempo, e que esta precisa ser respeitada.
 
Considerando sempre que tipo de conteúdo, capacidade e informação o aluno precisa ter, a professora e pesquisadora Icleia Cattani, do Instituto de Artes da Ufgrs, acrescentou que após trabalhar os urdimentos da pesquisa, a questão do ensino como algo progressivo, em todos os sentidos, há um crescimento, uma evolução natural do processo de estudo, estando os alunos aptos a pesquisar por conta própria. Finalizando, e parafraseando o pesquisador e historiador Ernst Gombrich, Cattani diz que da mesma forma que o artista, o historiador da arte não é só um produto do seu tempo. “O entorno é fundamental, mas dentro disso existem escolhas disponíveis e possíveis, considerando o contexto social de determinado universo”.
Artigo publicado no Jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, página 2 – edição do dia 28 de maio de 2013.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s