anamae

Ana Mae. Foto de arquivo particular.

Eu e Olga nos conhecíamos de nome. Meu marido, que era da área de literatura, conheceu os dois, ela e o marido dela (o Carlos Reverbel),  em um jantar em Porto Alegre. Depois disto passamos a nos encontrar. Estive várias vezes na casa dela. Era um prazer estar com ela. Sempre alegre, animada, muito bem informada sobre os problemas que discutíamos. Conheci na casa dela uma orientanda de quem sou amiga até hoje, Sandra Ramalho, que é uma importante professora da UDESC, de Florianópolis. Quando nos encontramos sempre falamos sobre Olga com muita saudade. Posteriormente Olga me convidou para fazer o prefácio do livro dela “Um caminho do teatro na escola” da Editora Scipione, publicado em 1989. Fiquei muito feliz com o convite, principalmente porque ela destacou uma frase minha do prefácio e usou  como epigrafe do livro “Acertar em educação sem pedagogizar”. Esse livro dela é importante até hoje. Inicia uma abordagem metodológica que eu chamaria de pós-moderna. Associando a liberdade de expressão ao desenvolvimento da consciência cultural. Ela se interessava em levar os alunos para conhecerem teatro e fazerem teatro. Explico isso no prefácio do livro.

A Olga, juntamente com a Maria Clara Machado, iniciou um movimento de teatro e educação que vem se desenvolvendo muito no Brasil. Em São Paulo a criação dos Céus, os cursos profissionalizantes de Teatro da Prefeitura, a Escola de Teatro do Estado e as ONGs tem estimulado muito o teatro nas escolas. Hoje o teatro tem mais prestigio nas escolas do que as artes visuais, que de repente estão escanteadas por uma cultura visual que tenta exclui-las.

Quando me perguntam se existe uma lacuna ou uma continuidade de seu trabalho (da Olga e da Maria Clara Machado), digo que hoje há mais diversidade de abordagens metodológicas, mais correspondentes aos dias atuais. Portanto, para mim não há continuidade nem ruptura, há diversificação de caminhos, mas o trabalho de Olga é importante e pode ser usado até hoje.

Eu diria que a Olga Reverbel trabalhou a vida toda pelo teatro na educação e não foi em vão. E ela ficaria feliz com o desenvolvimento do teatro hoje para crianças e pelas crianças. Os profissionais de teatro e educação nas universidades estão fazendo um grande trabalho de formação de professores: Ingrid Koudela, Malu Pupo, José Mauro, Arão Paranaguá, Fernando Azevedo, Vera Rocha, os orientandos da Analice Dutra Pillar, na ufrgs, em Porto Alegre, e muitos outros. Os metrados e Doutorados estão produzindo livros e análises de projetos.  Há poucos anos, uns três ou quatro, foram apresentados mais de 500 projetos de teatro educação no edital de formação da Petrobrás.

Proibida a reprodução deste texto em parte ou no todo, em qualquer mídia, sem  prévia autorização. Para maiores informações entrar em contato com c_lavich@yahoo.com.br

Depoimento de Ana Mae Barbosa para Biografia de Olga Reverbel.

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