Histórias do Brique: A Arte de Alfredo Larre.

Alfredo Nicolás Larre Segalerba, 42 anos, nasceu em Montevidéu, Uruguai. Dos 2 aos 32 viveu em Rafael Peraza, povoado de mil habitantes localizado ao sul da capital de San José e distante 72 km de Montevidéu. Interessou-se pelo artesanato entre os anos 1990 e 1995, quando integrou o grupo da Biblioteca Popular de Rincon del Pino, fundado em 1983 com objetivos que vão além do empréstimo de livros: funcionar como base para todas as ideias de origem cultural, de forma livre e gratuita. Nesse período, organizaram uma série de oficinas com docentes especializados em desenho, pintura e cerâmica.

Das oficinas na Biblioteca Popular de Rincon del Pino partiu para Montevidéu, onde intensificou seus estudos relacionados com a cerâmica, e outros que o conduziram para uma formação mais abrangente nas artes plásticas e história da arte. De 1994 a 2000 estudou com diferentes mestres e teve a oportunidade de experimentar diversos materiais e técnicas: papel, tecidos, óleo, aquarelas, acrílicos, reciclagem, madeiras, resinas e ferro. Em 2002, com um grupo de artesãos, veio ao RS expor seu trabalho. De 2002 a 2006, concentrou suas atividades artesanais na cidade de Rio Grande, onde se instalou e passou a criar peças com cerâmica e ferro.

Em 2006, a necessidade de buscar novos conhecimentos e ampliar suas experiências o fez trocar Rio Grande por Porto Alegre, onde, desde 2003, participava de exposições. Também em 2006, a partir de uma relação comercial com as lojas de móveis e decoração, onde expunha suas peças, conheceu as fábricas de Gramado e seu respectivo desperdício de restos de madeira. A experimentação foi imediata, motivada pela necessidade de criar outros objetos com um novo material.

Em meados de 2007, época em que passava por uma crise pessoal que o levava a voltar para seu país, conheceu a artesã Rúbia Marques, e em dezembro do mesmo ano “juntaram as escovas de dente”. Alfredo acabou ficando, agora pra valer. Em julho de 2008 passou pelo processo de seleção para integrar o Brique da Redenção; desde então, é titular do box número 18, onde expõe suas obras criadas com madeira.

Se vivesse no Uruguai, teria um mercado limitado. A comercialização de suas peças seria impulsionada pelo turismo, porém, concentrada nos meses de Janeiro e fevereiro. Aqui, pelas características do Brique, o trabalho se mostra estável. Apesar de acontecer só aos domingos e não estar em uma cidade considerada turística, a proposta apresentada pelo espaço atende as necessidades dos moradores, o que lhes garante um orçamento sustentável. Lamenta apenas que no Brasil não existam políticas públicas para o setor, e o artesão não dispõe de uma legislação própria para a categoria. Em consequência, temos um setor sem método na gestão organizativa, desmembrado, e com futuro incerto.

Artigo publicado na página 2 do Correio do Povo, de Porto Alegre, edição do dia 20 de março de 2012.

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