A luta pela vida e os planos de saúde

Desde minha primeira internação no Hospital São Lucas da PUC, quando iniciei a luta contra um linfoma, encontro pessoas em situação semelhante, dentro e fora do hospital, que me inspiram a ter coragem para enfrentar o problema de cabeça erguida. Natural de Sapiranga, e com 70 anos de idade, Armindo Dorscheid é um exemplo de persistência. Enquanto dividimos o quarto, nunca reclamou do seu problema, um tumor no intestino. Para nosso conforto, Helga Kirchmaier, 65 anos e sua companheira há 17, visitava-o todos os dias. Na internação, cansados que estávamos da comida do hospital, não negávamos um pedaço de bolo, uma fatia de cuca, ou até mesmo uma torrada com queijo colonial que Helga nos preparava com tanto amor. Conduzida pelo Dr. Marcelo Toneto, no dia 30 de agosto Armindo passou por uma cirurgia delicada para a retirada do tumor. O procedimento foi um sucesso e ele se recupera bem, em casa. As consultas de rotina e os exames feitos até agora não têm lhe indicado o tratamento quimioterápico. Recentemente, hospitalizado para um novo ciclo de quimioterapia, fizeram-me uma visita surpresa. Aguardam a minha recuperação para visita-los em Sapiranga.
 
Infelizmente, ter um bom plano de saúde não é mais sinônimo de tranquilidade. Conforme o contrato, meu plano deve cobrir todos os procedimentos e medicamentos que necessito para o tratamento. É preciso, no entanto, fazer algumas observações: os planos nos tratam de forma diferente quando passamos da condição de clientes para a de pacientes. Não é possível que os planos de saúde tenham 72 horas (dias úteis) para analisar e aprovar procedimentos ou medicamentos quando estes são solicitados pelos médicos ou pela administração do hospital. Dependendo do resultado dos exames, o paciente necessita do uso imediato de determinada medicação, não podendo aguardar pela liberação do plano de saúde, quer seja por 72 horas, ou mais. Em situações em que a vida do paciente encontra-se em risco, e a necessidade de ação ou intervenção é imediata, o paciente é “obrigado” a assinar um termo em que se compromete com o pagamento das despesas caso haja a negativa do plano após a administração da medicação ou da realização de procedimentos. Os planos alegam que não podem autorizar de forma retroativa procedimentos realizados ou medicamentos já administrados. Os pacientes, por motivos óbvios, também não podem esperar tanto tempo pela análise dos pedidos, colocando em risco sua própria vida. No momento em que estamos sensíveis, debilitados com a doença, não é justo que nos preocupemos com a burocracia ou até mesmo com a má fé dos planos de saúde que, como me disse uma médica, demoram em dar a resposta, na expectativa da morte do paciente.

Um comentário sobre “A luta pela vida e os planos de saúde

  1. – Ao longo doa anos de 2007 e 2008 passei por duas cirurgias grandes; tive que retirar partes dos meus pulmões. Em 2009 tive fazer uma cirurgia nas cordas vocais e meu plano de saúde – Unimed -, disse que não cobria este tipo de cirurgia! Prontamente, paguei e dpopis fui procurar um bom advogado; Gustavo Bernardes, no caso. Ganhei em todas as instâncias. Atualmente, o processo está no Supremo. É o fim da picada!!!!

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