Criação e percepção nas artes visuais

Agora Ágora – Criação e trangressão em rede, no Santander Cultural. Photo by Walter Karwatzki.

Sou um atento observador. Gosto mais de ouvir que falar. Percebo tudo o que está em minha volta, e a maneira que encontrei para expressar-me foi a escrita. Valho-me também de algumas linguagens artísticas. Não sou de tecer grandes comentários e estabelecer longos diálogos com quem não conheço, ou quando não domino um assunto. No entanto, quando percebo uma boa história, um bom exemplo, um fato ou acontecimento relevante, penso logo na possibilidade de transformar o desconhecido, tornando-o público. Nestas oportunidades, a regra do silêncio é quebrada. Falar se torna imprescindível quando descobrimos que não há respostas sem perguntas.

Conversei com algumas pessoas na recente inauguração da exposição Agora Ágora – criação e transgressão em rede, no Santander Cultural. Posteriormente troquei impressões com outras que lá estavam. André Venzon, artista plástico e diretor do Museu de Arte Contemporânea (MAC-RS) falou-me de suas percepções. Gostou da tentativa de se oferecer uma exposição de artes visuais contemporânea em um dos espaços culturais da cidade mais vocacionados para isto, destacando a proposta de se trabalhar com o conceito de rede em todos os níveis, desde o projeto curatorial, na relação das obras entre si e o público, até a plataforma da mostra na web. Como eu, Venzon não conhece a maioria dos artistas, o que considera enriquecedor. Conhece, admira e aprecia os trabalhos de Ana Holk, Caio Reisewitz (com quem já expôs, inclusive), Frantz, Rômulo Conceição e Saint Clair Cemin. O trabalho da Ana Holk ele viu na última SP Arte, em São Paulo, e considera que talvez seja o que melhor representa o conceito da mostra curada por Angélica de Morais. A obra Super Cinema, de Rômulo, supera o próprio projeto curatorial, e, a seu ver, está além de tudo que o artista já apresentou em qualidade e inovação. Já o trabalho do Frantz não foi valorizado na sua apresentação, restando muito acadêmico, justamente o contrário da sua pesquisa visual. Algumas obras ficaram comprometidas pela disposição curatorial, entre elas a de Saint Clair Cemin.

Numa exposição, cada visitante tem diante de si o desafio de perceber a obra de arte, mais ou menos, conforme sua capacidade cognitiva ou sensibilidade. Para dialogar com as obras, enquanto artista, André sugere que o público observe com atenção o espaço que elas ocupam, suas formas, que leiam os textos curatoriais e as fichas técnicas das obras (etiquetas), conversem com os mediadores e consultem o catálogo ou material pedagógico, quando houver. A partir destas informações se permita pensar, antes de julgar se gosta ou não gosta.  Como dizia Duchamp, o importante não é se uma arte é boa, ruim, ou indiferente, o que importa é se ela nos emociona, nos deixa felizes, ou até mesmo tristes.

Telas do artista Frantz. Photo by Walter Karwatzki.
Artigo publicado no Correio do Povo, de Porto Alegre, edição do dia 08 de junho de 2011.

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