União homoafetiva

No dia 23 de maio, José Nestor Klein ocupou a página de opinião do Jornal do Comércio para manifestar-se contrariamente à união homoafetiva, classificando-a como algo imoral. Valeu-se de argumentos preconceituosos na tentativa de fazer valer (talvez impor) sua opinião. Afirmou que há décadas a maioria dos partidos de esquerda e os movimentos socialistas tentariam abalar a instituição familiar em sua estrutura jurídica e miná-la em seus fundamentos morais. Objetivariam promover reformas graduais, até o ponto em que o espírito público, as leis e os costumes “evoluídos” aceitassem a degringolada da família cristã. Nessa ofensiva, ocupariam papel de destaque o aborto, a eutanásia e a revolução homossexual. Segundo Klein, com tais leis, os setores da esquerda querem fazer sentir à população que a imoralidade tem direitos, mas a moralidade não. A fim de impedir reações contrárias, as esquerdas poriam em prática a tática da “não discriminação”, pedindo tolerância em relação às “minorias sexuais”, depois passariam a exigir igualdade absoluta entre as minorias. Visariam à extinção das classes e ao triunfo da utopia igualitária. Tratar-se-ia de uma verdadeira revolução em nome da ideologia do gênero.

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), com sua lucidez, coragem heróica e discernimento, afirmou que os homossexuais, apesar de contribuirem com o Estado e cumprirem com todos os seus deveres civis, são alijados de 78 direitos, gozando de apenas parte dos direitos civis permitidos aos heterossexuais. Segundo o deputado, os homossexuais não usufruem (ou não usufruiam, já que o momento é de mudanças) de direitos que são fundamentais, como o direito inalienável à vida e à felicidade, que está ligada, por exemplo, à liberdade que cada um tem de constituir uma relação conjugal protegida pelo Estado. Para Jean Wyllys, já que o homossexual contribui com esse Estado, tem deveres civis e cumpre-os, então, a aprovação de uma emenda constitucional que assegure o casamento civil entre os homossexuais é legítima e automaticamente vai se desdobrar numa série de outros direitos a serem adquiridos. Se a lei permitir que o homossexual possa casar, esse casamento conta com a proteção do Estado. Os homossexuais são então reconhecidos como entidade familiar e altera-se, portanto, o estatuto da família. Os homossexuais poderão também incluir o seu parceiro (ou parceira) no plano de saúde e no imposto de renda, sem precisar recorrer à justiça. Assim, uma série de direitos se desdobraria, de modo que a grande batalha pela criminalização da homofobia seja o próximo passo, representando uma nova esperança na conquista da tolerância e do respeito às diferenças. Afinal, as pessoas não podem ser violentadas e devem ter liberdade para exercer sua identidade de gênero.

Artigo publicado na página 4 do Jornal do Comércio de Porto Alegre, edição do dia 27 de maio de 2011.

Um comentário sobre “União homoafetiva

  1. Parabéns Christian. É quase inacreditável que ainda possamos ouvir absurdos como esses ditos pelo sr. Klein. Mesmo com todos os avanços, resultado da busca pelos direitos individuais, ainda há muita coisa por fazer. A luta segue.
    Maria da Graça

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