Guarani das Missões

Em “Uma Ponte para Terebin”, Letícia Wierzchowski relata a trajetória de seu avô, Jan Wierzchowski, que deixou a Polônia rumo ao Brasil em 1936, pouco antes de eclodir a II Guerra Mundial. O destino de Jan em terras brasileiras seria um pequeno povoado na Região das Missões, no interior do Rio Grande do Sul. Em meio a conflitos e sofrimentos, ele perde a esposa, que adoece durante a longa viagem de navio até o Brasil, e chega viúvo à Guarani das Missões. Então, em curto período de tempo, desfaz-se de sua pequena propriedade, casa-se novamente e parte com a nova mulher para a capital, Porto Alegre, na construção de uma nova vida.

Em viagem por terras missioneiras na busca de peculiares pontos turísticos, chego a Guarani das Missões à procura da estátua de João Paulo II, que se encontra na praça central da cidade. Em tamanho natural e feita em alumínio envelhecido, a estátua é uma réplica perfeita de Karol Wojtyla, o polonês que se tornou Papa em outubro de 1978 e ajudou a libertar seu país das garras do comunismo soviético. Na cidade, além da estátua de João Paulo II, o que mais chama a atenção dos visitantes é a hospitalidade do povo e a constante melodia da língua polonesa, falada principalmente pelos mais velhos. O ponto de maior aglomeração de pessoas é a rodoviária, de onde partem ônibus lotados para o interior do município. Ali é onde se ouve menos ainda o português. No comércio, também leva vantagem quem tem domínio da língua polonesa; é o caso das sócias Jurema Jablonski e Carmem Polanczyk, donas de uma farmácia. Carmem cuida da parte administrativa, pois não fala polonês. O contato com o público fica sob responsabilidade de Jurema, que em casa só falava polonês, aprendendo o português mais tarde, na escola. Simpática, ela atende os clientes oferecendo o chimarrão a cada um que entra no estabelecimento. Mantém o vocabulário em dia conversando com sua tia Jadwiga, atualmente com 98 anos de idade, mas que diz estar com 103.

Dentre os médicos da cidade, há também os que são mais procurados por dominarem a língua polonesa. O casal Cecílio e Janina Bobrzyk se conheceu há muitos anos, quando estudavam medicina na Polônia. Beneficiados com bolsas de estudo do governo polonês, hoje ajudam a encaminhar outros jovens para estudar no país, dessa forma colaboram para manter vivas a cultura, a história e as tradições de seus antepassados.

Artigo publicado no Correio do Povo, de Porto Alegre, edição do dia 11 de setembro de 2006.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s