Luiz Carlos Felizardo

Milhares de pessoas já passaram pelo Santander Cultural para prestigiar a 5ª Edição do Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre, o FestFotoPoa, que permanece em cartaz até o próximo dia 1º de maio, e que neste ano homenageia o gaúcho Luiz Carlos Felizardo e o francês Marc Riboud.

O evento, segundo o fotógrafo Walter Karwatzki, coloca a capital gaúcha no circuito mundial da fotografia e, além da homenagem aos dois grandes fotógrafos, o visitante que buscar a mostra nestes últimos dias, deve se ater, com atenção, ao Fotograma Livre, parte importante da programação, que propõe um diálogo criativo em torno da produção e da significação da fotografia. Sobre Marc Riboud, a organização do festival justifica a escolha declarando que sua obra é uma das mais importantes da fotografia mundial no século XX, tanto pelo pioneirismo na atenção dada a países asiáticos e africanos, quanto pela extrema sutileza na composição de cenas do cotidiano. A exposição em homenagem ao fotógrafo francês reúne 60 imagens com uma retrospectiva dos seus 50 anos de carreira, além de uma série inédita de fotografias realizadas durante sua primeira viagem ao Brasil, em 2009.

Felizardo, nascido em Porto Alegre , em 1949, é um dos maiores fotógrafos brasileiros de todos os tempos. Estudou Arquitetura, mas abandonou o curso antes de sua conclusão, em 1972, para se dedicar à fotografia. Segundo o escritor e também fotógrafo Pedro Vasquez, são poucos, no Brasil, os que conseguem escrever e refletir sobre fotografia como o faz Felizardo. Muitos compartilham da mesma opinião, como demonstram as manifestações de afeto e reconhecimento registradas em um documentário que lhe rende homenagens – mas que está em um espaço estreito e pouco privilegiado da mostra, obrigando os visitantes a ficarem em pé, desconfortavelmente, em torno de 30 minutos, esforçando-se para ouvir os depoimentos quase inaudíveis.

Rosely Nakagawa, curadora, pesquisadora e colecionadora de São Paulo, lembra que o grande formato na fotografia de Felizardo é um desafio na busca da melhor qualidade, é a forma de como ele vê o mundo. A vida, ele a vê de forma colorida, mas com tons adequados. Por isso ele usa o preto e branco, que estão nesta exposição. Como escreveu Pedro Vasquez em uma breve biografia, Felizardo domina com rara harmonia os trabalhos de cunho profissional com os de expressão pessoal, aproveitando sua formação no campo da arquitetura, documentando aspectos diversos da arquitetura gaúcha e, sobretudo, porto-alegrense, assim como a presença da arquitetura teuto-brasileira em Santa Catarina e, principalmente, os exemplos remanescentes da arquitetura jesuítica.

Por ser um dos nomes inevitáveis na história da fotografia do Brasil, e por ser também um excelente teórico, é justa a homenagem prestada a Felizardo, cuja arte pode ser resumida por suas próprias palavras: “Se fotografar é conferir importância a algo que atrai nosso interesse, então o respeito pelo que fotografamos é compreensível – e indispensável. É preciso respeitar a nossa própria percepção para que se possa extrair dela alguma coisa. Então, se quisermos que o resultado seja visto com alguma benevolência, é preciso trabalhar nele com o respeito que também a visão do expectador merece”.

Um comentário sobre “Luiz Carlos Felizardo

Deixe uma resposta para Walter Karwatzki Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s