De Vitória a Porto Alegre

Tenho por hábito, sempre que possível, hospedar jovens intercambistas e amigos em casa. Vindos de longe ou não, estabelecida a relação de confiança, as portas se abrem e os vínculos afetivos se estabelecem. Depois, na despedida, fica o vazio, a saudade. Aquele aperto no peito. Nunca me ocorreu de ter hospedado alguém de quem não tivesse gostado, ou que tivesse me causado algum problema ou constrangimento. Recentemente, Sanmy Moura, estudante de jornalismo do Centro Universitário Vila Velha, Espírito Santo, esteve em Porto Alegre em busca de aprimoramento profissional. Foi aluno de dois cursos de férias oferecidos pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Nascido em Aracajú, Sanmy está em Vitória desde janeiro de 2009, onde concluirá seus estudos no final de 2011, e para onde se mudou depois que seu pai, funcionário da Petrobrás, seria transferido. A transferência não se concretizou, mas o estudante, já matriculado, permaneceu na capital capixaba com a mãe e o irmão mais novo.

Sanmy ficou em Porto Alegre por quinze dias. Nos últimos oito, foi meu hóspede. Economizou recursos, reforçou os laços de amizade e conheceu praticamente toda a cidade, os principais centros culturais e a vida noturna, começando pela Cidade Baixa, que caracterizou como lugar ideal para universitários, pelas opções de lazer, com bares e restaurantes. Caminhou pelas ruas do Bom Fim e dançou nas noites do Ocidente e do Cabaret Independência. Destacou a simpatia do povo gaúcho e considerou impecável a organização dos bairros Moinhos de Vento e Bela Vista.

Ficou apaixonado, fascinado com tantas opções culturais, como o Museu Iberê Camargo, a Casa da Cultura Mario Quintana, o Memorial do Rio Grande do Sul, o Santander Cultural e o MARGS. No Mercado Público, encontrou e se encantou com a variedade de especiarias, opções gastronômicas e o artesanato regional. Mostrou-se surpreso, lamentando os contrastes do Centro Histórico: de um lado a beleza da Igreja das Dores e do pôr-do-sol do Guaíba, do outro a sujeira e a desorganização, segundo ele, uma combinação da falta de ingerência do poder público com a falta de cultura e educação das pessoas. As duas partes deveriam entrar em acordo, cada uma cumprindo com suas obrigações para tornar a cidade ainda mais bonita e agradável ao turista. Apesar destas observações, diz que no Sul temos condições invejáveis para o resto do Brasil, por isso, mostra-se bastante entusiasmado e planeja morar aqui a partir de 2012, onde buscará possibilidades de aperfeiçoamento em sua área. Quer ingressar como aluno do mestrado na UFRGS e considera Porto Alegre um lugar atraente, que poderá lhe proporcionar qualidade de vida com boas opções de trabalho e estudo, o que lhe anima bastante.

Publicado no Correio do Povo, de Porto Alegre, página 2, edição 27/01/2011.

2 comentários sobre “De Vitória a Porto Alegre

  1. Gostaria de parabenizá-lo pela iniciativa, que deveria ser acompanhada por outros brasileiros, pois permite ampliar o conhecimento e o acesso dos estudantes de outros estados à cultura local.

  2. Ótimo texto! Mostra uma visão de POA que hoje em dia compartilho. E acho que deveríamos compartilhar sempre mais com o pessoal de fora daqui.

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