Depoimento Fernanda Montenegro

Fernanda Montenegro, Vera Potthoff e Christian L. Goldschmidt em foto de Carlos Stein.

Em 17 de setembro de 2004, eu e Vera Potthoff tivemos um encontro com Fernanda Montenegro, oportunidade em que pude entrevistá-la para a futura Biografia de Olga Reverbel. As perguntas feitas na entrevista foram suprimidas, e as respostas editadas em forma de depoimento.

Depoimento de Fernanda Montenegro para a Biografia de Olga Reverbel

Minha amizade com a Olga Reverbel tem muitos, muitos anos. Talvez porque a minha maior amiga na vida é Maria Inês, uma prima de Olga, que mora no Rio de Janeiro, e que é filha do Seu Falatiel e da Dona Idalina. Então, quando eu vim para Porto Alegre pela primeira vez, lá no início dos anos 60, eu já vim na intenção de procurar a Olga Reverbel e o Carlos. E esse foi nosso primeiro contato. Eu engravidei nesse período no Rio de Janeiro, e meu filho foi concebido aqui em Porto Alegre. Dois anos depois, já com meu filho nascido, eu vinha direto para a casa de Olga Reverbel, e era na casa de Olga que os meus filhos ficavam. Sempre que vim a Porto Alegre nesses anos todos, a gente punha a vida em dia. Frequentar aquela casa era uma festa. Eram noites agradabilíssimas. Era uma família que eu tinha aqui. E a qualidade de mulher que ela é, qualidade de pedagoga que ela é, de mulher não só de cultura, mas também de preocupação cultural, de cidadania, fazem dela um ser muito especial, e que ao mesmo tempo é boêmia, ao mesmo tempo é liberta. É um encanto de pessoa. E o teatro como instrumento de educação, bastante utilizado pela Olga, é de uma inteligência, uma perfeição, porque ela transfere da maneira mais qualificada possível. E não é um querer apenas. É algo estruturado, estudado, consequente, e de extraordinário aproveitamento.

A Olga sempre foi uma coisa viva, uma coisa muito ardente, e que eu tenho muita pena de não tê-la agora, cada vez que eu venho para Porto Alegre. É engraçado, porque ela era, aqui na cidade, um referencial da capital. Tenho uma lembrança muito especial, principalmente da casa onde meus filhos ficavam com a babá, e a Olga era muito materna, ou já muito avó, não sei. São essas coisas da intimidade que a gente não explica. Intimidade entre as pessoas, e que você não sabe por que você se torna muito próximo a uma pessoa, a uma família, por opção, e não com outra. No caso aquela casa ali na Rua Coronel Bordini era um pouco a minha casa.

A figura da Olga, o rosto dela é tão forte e tão querido, que eu não o separo do Rio Grande do Sul, ou o Rio Grande do Sul do rosto da Olga. Ela era uma figura aglutinadora, pelo temperamento amoroso, expansivo, mas principalmente pela qualidade de artista que ela é. Mas também por aquele casal tão especial, tão charmoso, tão vibrante, em uma casa tão acolhedora. Eu sinto muita, muita falta da Olga. Eu estive com ela da última vez, mais intensamente, em Pelotas, num festival de teatro, e isso já tem alguns anos. Ela estava com uma correntinha de prata muito bonita, e eu disse: Olga, que linda que é essa sua corrente! E ela disse: Toma, é sua! Guardei, e tenho isso dela guardado comigo.

E eu sinto muita saudade da Olga. Saudades dos velhos tempos, da sua casa, dos meus filhos pequenos, do que conversamos nessas horas, do que sonhamos, do que nos olhamos. Do quintal da sua casa, onde tinha um jardim que estava sendo feito, sempre sendo feito. Da sua filha ainda mocinha, cuidando dos meus filhos. Eu tenho dela uma lembrança muito familiar, muito perto do meu coração. É com muita emoção que eu to dando esse depoimento pra você. (visivelmente emocionada).

Proibida a reprodução deste texto em parte ou no todo, em qualquer mídia, sem  prévia autorização. Para maiores informações entrar em contato com c_lavich@yahoo.com.br

Um comentário sobre “Depoimento Fernanda Montenegro

  1. Chris,
    O Festival de teatro ao qual a Fernanda se refere foi coordenado por mim e por uma semana convivi com as duas. Se visitares o Memorial do Theatro Sete de Abril encontrarás fotos que registram esta passagem.
    Parabéns pelo trabalho brilhante que estás fazendo.
    um beijo da amiga
    Bia

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