O berço definitivo da OSPA

No dia 23 de novembro, a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), completará seis décadas de existência. No início do ano, seu presidente, Dr. Ivo Nesralla, disse que este seria um ano de celebrações, desafios e conquistas. Realmente, em 2010, pudemos apreciar uma programação que nos presenteou com obras ainda inéditas em Porto Alegre, como a 9ª Sinfonia de Mahler, regida pelo maestro Isaac Karabtchevsky, executada magnificamente pelos seus talentosos músicos e adornada com belíssimos solos lotando o Salão de Atos da UFRGS.

A data que marca sua fundação também serve para relembrarmos os momentos de esplendor que fazem parte da história desta que é a segunda Orquestra Sinfônica mais antiga do país. A troca prevista de governo e a proximidade do final do ano deixaram algumas dúvidas pairando no ar. Dúvidas que abalaram emocionalmente boa parte dos músicos, com quem tenho desfrutado de agradáveis momentos, e que comigo tem conversado. Eram as incertezas que rondavam a continuidade ou não da presidência e da direção artística da OSPA. As preocupações, em parte, mostraram-se reais quando, na última terça-feira, tornou-se público o pedido de demissão de seu diretor artístico, Isaac Karabtchevsky.

Não podemos desmerecer o trabalho da OSPA já consolidado ao longo de todos esses anos. Mas foi o prestígio emprestado a esta Orquestra por Isaac Karabtchevsky que fez com que bons músicos, inclusive os que vieram de fora, optassem por realizar concurso a fim de integrar esta instituição. Por isso, mexer no que está dando certo, é jogar com a desestabilização e colocar em risco o trabalho de uma equipe que conjuntamente se ampara e se respalda. É fato que a parceria Nesralla-Karabtchevsky, iniciada ainda em 2003, muito contribuiu para que a orquestra alcançasse um alto grau de identificação com a comunidade, e conseqüentemente um grande respeito fora de casa. O prestígio do qual goza atualmente a OSPA, se deve, em grande parte, pela condução de Ivo Nesralla e pela direção artística de Karabtchevsky, reconhecido e elogiado internacionalmente.

Se a saída de Karabtchevsky for confirmada, 2010 será lembrado por esta triste perda, e não terá sido um ano só de celebrações, desafios e conquistas, como afirmou Nesralla. Vale salientar que não advogo em nome de qualquer partido político, por isso, defendo que instituições como a OSPA não sofram grandes mudanças com a troca de governo. Assim, sinto-me à vontade para pedir ao governo que agora assume que dê atenção redobrada a OSPA, demonstrando habilidade, concretizando um sonho antigo dos gaúchos, a construção do berço definitivo da OSPA, um teatro que a abrigue e que nos encha de orgulho.

Publicado no Jornal do Comércio, de Porto Alegre, página 4, edição de 29/10/2010.

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