O legado de Barbosa Lessa

Conheci Nilza Lessa na casa de uma amiga. Logo no primeiro encontro, presenteou-me com os livros República das Carretas e Rio Grande do Sul, Prazer em Conhecê-lo. Duas obras de Barbosa Lessa que foram reeditadas e que são distribuídas gratuitamente à população pelo Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore. Recentemente, Dona Nilza me convidou a sua casa e, para minha surpresa, fui novamente agraciado com uma caixa contendo outros seis títulos, reeditados em 2005: São Miguel da Humanidade, Antologia Pessoal, Prezado Amigo Fulano, Garibaldi Farroupilha, Histórias para Sorrir e Os Guaxos. Os dois primeiros livros foram lidos em uma semana. Os outros, aos poucos, vão sendo vencidos.

Descobri que o Legado de Barbosa Lessa permanece vivo não só nas mais de 60 letras de músicas que compôs e nos 63 títulos publicados ao longo de seus 72 anos de vida. A filha Valéria Lessa Shalit, que migrou para os EUA, nos anos 80, onde se casou com Glenn Shalit, contribui para a divulgação das obras do pai em Nova Jersey, onde dá aulas de danças gaúchas. Seus dois filhos também seriam o orgulho do avô se este estivesse vivo. Na última visita ao Brasil, em 2009, dançaram com o grupo juvenil do CTG 35, acompanhando as apresentações até o final. Uma foto de Caio, 13 anos, e André, 10 anos, ambos “pilchados”, merece destaque na parede do corredor do apartamento da avó, localizado no último andar de um prédio da Rua Riachuelo, no Centro Histórico de Porto Alegre. Dona Nilza voltou para a capital, em maio de 2002, dois meses após o falecimento de Barbosa Lessa. Desde 1986, moravam em uma bonita propriedade rural de 15 hectares no interior de Camaquã. O Sítio Água Grande, com uma bela cachoeira de 65 metros , foi comprado pela prefeitura e aberto à visitação pública. A residência permaneceu com boa parte da mobília e foi transformada em museu. Algumas peças ficaram com Nilza e hoje decoram seu apartamento, como os roupeiros de sucupira, datados de 1922, que pertenceram à sua sogra e a bacia de prata onde Lessa foi banhado quando nasceu.   

Na capital, o filho Guilherme, de 50 anos, visita Dona Nilza, semanalmente. Aos 78 anos, ela mantém atelier em casa e continua dedicando-se ao artesanato. Suas colchas, almofadas e travesseiros confeccionados em patchwork e fuxico são vendidos também em outros estados e já ganharam o mundo. As peças, representativas da fauna local, valorizam os bichos do mar de dentro, que vivem próximo às lagoas. Em setembro, na Semana Farroupilha, merecidamente, pelos seus serviços prestados ao tradicionalismo, receberá o Troféu Mulher RS 2010, concedido pelo Governo do Estado.

Publicado no Correio do Povo, de Porto Alegre, em 07 de setembro de 2010.

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