Na terra de João Simões

No dia 09 de março de 1865 nascia João Simões Lopes Neto. Em 2006, na Feira do Livro de Porto Alegre, adquiri “Carlos Reverbel – Textos Escolhidos” (JÁ Editores). Além de reunir reportagens do jornalista publicadas na década de 1950, traz a biografia de Simões. Na verdade, Reverbel foi quem redescobriu e reapresentou o autor regionalista para o resto do Brasil. Em 2007 comprei a “Obra Completa de Simões Lopes Neto”, organizada por Paulo Bentacur. As 1087 páginas foram lidas em menos de 15 dias. Os editores descrevem Simões como uma das expressões máximas do pré-modernismo brasileiro, sendo o exemplo mais marcante da ficção regionalista deste período, com imaginário mítico, humor belicoso, guerreiro, fala inculta e insolente. A leitura da obra de Simões fez crescer em mim a vontade de conhecer sua terra, para onde, desde então, tenho viajado constantemente.

A cidade de Pelotas muito tem feito para manter viva a história e a obra de seu filho mais ilustre. No dia 09 de março de 2006, o Insituto João Simões Lopes Neto abriu suas portas à comunidade gaúcha graças a um grupo de pessoas que nos últimos anos trabalhou intensamente para comprar e restaurar a casa onde viveu o escritor. Em 2009, para comemorar os seus 144 anos de nascimento, o Instituto prepara uma série de atividades, iniciando com a Palestra: “Critérios Estéticos e Estrututra Narrativa na obra de João Simões Lopes Neto”, proferida pelo Professor Carlos Francisco Sica Diniz. Segundo o responsável pela produção cultural da instituição, Ígor Simões, durante este ano o Instituto manterá a programação da casa, que vem se estabelecendo como espaço de fomento, fruição e incentivo à produção artística. As atividades incluem a continuidade do projeto “Diálogos na Casa de Simões”, que pretende provocar o debate com artistas e intelectuais, discutindo suas poéticas e leituras do tempo contemporâneo. Em 2008, o projeto contou com Vitor Ramil, Laurentino Gomes, autor do best-seller “1808”, e o cineasta André Konstantin. Sempre acompanham o convidado dois provocadores que levantam questionamentos e conduzem o bate-papo.

Outros projetos fazem parte da programação permanente do Instituto, como o “João Simões Lopes Neto vai à escola”, uma exposição itinerante de banners nas escolas, que permanece uma semana em cada estabelecimento de ensino para a realização de atividades que congregam professores e alunos. Ao final deste período a escola visita o Instituto, onde os alunos fazem uma visita guiada e assistem a filmes que falam sobre Simões e sua obra. As oficinas simonianas também continuam na programação, com atividades nas áreas de cinema, animação, roteiro, literatura, teatro e  artes visuais.

Baseado em um dos mais importantes contos do autor, com título homônimo, foi criado em 2005, para destacar pessoas que contribuíram e contribuem para a manutenção da memória, da vida e da obra de João Simões Lopes Neto, o prêmio “300 onças”. Com 300 moedas confeccionadas, só três exemplares são entregues anualmente. A primeira moeda, a “onça original”, modelo para as outras 300, foi recebida por Bernardo de Souza, grande incentivador do Instituto e da Cultura no RS. O prêmio tem como principal característica o seu tempo de duração, cem anos, e começou a ser conferido em 2007. Seus primeiros homenageados foram Beatriz Araújo, Luiz Fernando Cirne Lima e Mozart Vitor Russomano. Em 2008 foram homenageados o promotor Paulo Charqueiro, o professor  Flávio Loureiro Chaves e o atual vice-presidente do Instituto, o professor Mario Mattos.

Cabe ainda destacar o projeto “Música na casa do Capitão”, através do qual o Instituto oferece seu espaço e infra-estrutura para músicos convidados apresentarem seus trabalhos. Em 2009 continuam os tradicionais seminários organizados anualmente e que abordam temas como literatura, identidade e cultura nos seus mais diferentes aspectos e recortes teóricos. O conjunto de todas essas ações garante a permanência da obra de Simões Lopes Neto e permite ao Instituto receber nomes de circulação regional, nacional e internacional, promovendo um espaço fértil de intercâmbio na área da cultura.

Publicado no Diário Popular, de Pelotas, em 09 de março de 2009.

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