A família Romanov escolheu o Brasil

No último dia 5 de julho, o Duo Romanov encantou o público do Fronteiras do Pensamento com uma rápida apresentação antes da palestra do conferencista da noite, o ambientalista e oceanógrafo Jean-Michel Cousteau. A história da família Romanov com o Brasil começou em 1996, quando a Ópera de Minsk foi convidada a participar do Festival de Ópera de Manaus. Voltando à Bielorússia, os músicos levaram consigo, além das lembranças do país exótico e até então desconhecido, a informação de que o governador do Estado, Amazonino Mendes, solicitara ao maestro Julio Medaglia que organizasse uma orquestra própria. Desta forma, nascia a Orquestra Amazonas Filarmônica. Assim, em 1997, além de audições no Brasil, também foram realizadas audições na República Tcheca, na Bulgária e em Minsk, na Bielorússia.

Avisados pelos amigos, Vladimir e Elena Romanov não acreditavam nesta possibilidade. Mas, um pouco mais confiante, Vladimir apostou na mudança e não teve dificuldades de passar pelo processo de seleção. Dois meses depois, mais precisamente no dia 13 de setembro de 1997, embarcou para o Brasil, desembarcando em Manaus no dia 16 de setembro. Trazia, além da expectativa e da bagagem, a tristeza de não estar presente no aniversário da filha, que completaria cinco anos no dia 18 de setembro. A pequena Lizaveta Romanov permanecera em Minsk com a mãe, Elena, violinista da Orquestra da Ópera da Academia e da Orquestra Sinfônica da Bielorússia.

Quando o marido embarcou para o Brasil, Elena tinha certeza de que trabalharia por um ano em Manaus e retornaria para Minsk. Mas, uma semana após o embarque de Vladimir, descobriu que estava grávida. Então, no dia 31 de janeiro de 1998 também desembarca em Manaus, sentindo dificuldades com o calor úmido da Amazônia, com as baratas, as formigas e as caranguejeiras que visitavam constantemente seu apartamento. Nikolay Vladimirovich Romanov, hoje com 12 anos, foi o “primeiro filho” da Orquestra Filarmônica de Manaus e o primeiro descendente russo nascido na cidade. Depois de ficar em casa e acompanhar os primeiros meses de vida de Nikolay, Elena fez audição e também entrou para a Filarmônica de Manaus.

Vladimir Romanov iniciou os estudos na Escola de Música de Molodechno, Bielorússia, seu país natal. Na mesma Escola concluiu o curso técnico com especialização em viola, músico de orquestra e ensino. Depois completou seus estudos na Academia Superior de Música Lunacharskiy, onde se formou em Música de Câmara, Licenciatura e Músico de Orquestra. Ao longo de sua carreira, atuou na Orquestra do Teatro Ópera e Ballet da República da Bielorússia, em Minsk; integrou o Grupo de Câmara da Filarmônica da Bielorússia e a Orquestra da Ópera da Academia de Minsk, como chefe de Naipe. Apresentou-se na Alemanha, Áustria, Noruega, Itália e Coréia do Norte.

Natural de Mogilov, Bielorússia, Elena Romanov iniciou os estudos de violino na Escola de Música de sua cidade natal. Depois de passar pela Escola de Música Rimsky Korsakov, ingressou na Academia Superior de Música de Lunacharskiy, onde se formou em Música de Câmara, Licenciatura, Música de Orquestra. Possui vasta experiência como violinista em conjuntos camerísticos e sinfônicos. Integrou a Orquestra Sinfônica de Mogilov, como spalla; Orquestra de Câmara de Mogilov, onde também atuou como spalla, participando de turnê pela Alemanha; Orquestra da Ópera da Academia (como concertino); Orquestra Sinfônica da Bielorússia, na capital, Minsk. Em 1998, já no Brasil, passou a integrar a Amazonas Filarmônica, em Manaus, atuando também – como violista – na Orquestra de Câmara Amazonas (OCA).

Em 2004, como não se acostumava com o clima de Manaus, Elena incentivou o marido a fazer o concurso para spalla de viola da OSPA. Seu sentimento era de que tal oportunidade não poderia ser desperdiçada. De fato, Vladimir vence o concurso público para o cargo de spalla (chefe de naipe) das violas da OSPA e transferem-se para Porto Alegre, em março de 2004. Em agosto do mesmo ano, Elena passa em concurso para violino. Desde então, ambos Integram a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) e, atualmente, Elena finaliza seu Mestrado no Centro de Pós-Graduação em Música da UFRGS, tendo como orientador o violinista Fredi Gerling. Extremamente requisitado, Vladimir lidera também o naipe das violas da Orquestra de Câmara da ULBRA.

Advindos da fria e nevada Minsk e sem conhecimento da língua portuguesa, o espírito de aventura fez com que Vladimir e Elena Romanov escolhessem o Brasil para recomeçarem suas vidas. Poderiam ter escolhido um país rico da Europa Ocidental, ou até mesmo da América do Norte, como fizeram a maioria dos compatriotas bielorussos e outros artistas do leste europeu que na última década do século XX decidiram migrar. As circunstâncias levaram o casal até Manaus. O clima e as novas oportunidades os trouxe a Porto Alegre.

Publicado em www.viapolitica.com.br em 11 de julho de 2010 e na edição impressa do Correio do Povo em 30 de julho de 2010.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s