A arte engajada de Zorávia Bettiol

Na história da artista plástica Zorávia Bettiol, a harmonia do homem com o ambiente natural sempre esteve presente. A beleza e o prazer que a natureza desperta – e isto só ocorre quando o ser humano tem suas necessidades essenciais bem resolvidas – foram experiências proporcionadas por seu pai (professor e advogado com sólida formação humanista) desde os primeiros anos de sua vida. Ensinamentos que fluíam naturalmente em passeios dominicais pelo Bom Fim, nas redondezas da Rua Santa Cecília, antiga Rua Larga, onde nasceu, em piqueniques organizados pela família e na contemplação noturna dos astros, nas diferentes épocas do ano. A conseqüência natural foi o ingresso de Zorávia na Ação Democrática Feminina Gaúcha e na Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, no inicio da década de 80. Como artista, seu primeiro trabalho de temática ecológica foi solicitado por Magda Renner, para uma manifestação pública, nos anos de chumbo da ditadura militar.

Os conceitos estéticos e científicos, relacionados com a natureza, estão em sua produção artística. A instalação Sobreviveremos? foi o núcleo da exposição Verde que te quiero verde, apresentada no Museu de Artes do Rio Grande do Sul, em 1979, composta também por desenhos seus e textos de personalidades, como José Lutzenberger, Mario Quintana, Federico Garcia Lorca e Oscar Niemeyer. Nesta oportunidade, abordou temas como a poluição das águas, o desmatamento e a desigualdade social. Seguiram-se, posteriormente, participações em coletivas, com as instalações Me Dejas Loco América, apresentada na fachada do Mercado Público de Porto Alegre, e Proteja a Vida, exposta na fachada da Garagem Menezes Côrtes, durante a Eco 92, no RJ e no Palace of Fine Arts, em São Francisco , Califórnia. A reciclagem foi abordada na instalação Reciclarte, realizada no DC Navegantes, no evento Essa Poa é Boa. O conhecimento de que o efeito estufa provoca um aumento da temperatura na terra, causando gravíssimas alterações climáticas, levou à criação de sua mais recente instalação individual, Alerta Ambiental – degelo e desertificação, apresentada na Feira Internacional do Meio Ambiente – FIEMA 2010, em Bento Gonçalves. 

O desejo de Zorávia é que as manifestações artísticas relacionadas à ecologia sejam levadas até as escolas, transmitindo e atualizando conhecimentos, formando cidadãos conscientes e com espírito crítico. Segundo ela, a arte pode contribuir para a mudança de comportamento da população, influenciando no engajamento das pessoas para que se tornem militantes na luta contra os crimes ecológicos, motivados pela ganância de indústrias e empresas atreladas a políticos inescrupulosos.

 Publicado no Correio do Povo em 21 de setembro de 2010.

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