Como apreciar a Bienal?

Apreciar a arte contemporânea também é uma arte, e a 6ª edição da Bienal do Mercosul está aí para ser apreciada até o próximo dia 18 de novembro. Como a maior parte do público que a freqüenta não é composto de críticos ou estudiosos e eruditos, o que fazer para apreciar e entender a arte exposta na Bienal? É uma arte para todos ou somente para os eruditos?

Os visitantes, em sua maioria, são “pessoas comuns” que vêem e buscam na Bienal uma oportunidade de lazer, uma atividade gratuita em seus finais de semana. Existem também os apreciadores: pessoas que buscam enriquecer seus conhecimentos através dos conteúdos e mensagens encontradas nas obras da Bienal. Decodificar essas mensagens, porém, requer uma reflexão crítica, mas, o não entendimento das mesmas não significa, de forma alguma, má vontade ou falta de capacidade de seus apreciadores. O diálogo estabelecido entre o público e a obra nem sempre poderá resultar num consenso que aponte para seu significado. Além de que, seu verdadeiro entendimento, muitas vezes, só é possível quando a obra, ou seu processo de criação, é revelado pelo próprio autor. É assim com a Bienal, onde temos exemplos que nos provam que até mesmo os mais íntimos da arte contemporânea precisaram de interlocutores para descobrir o significado de algumas obras. Justo Werlang, presidente da atual Bienal, e um de seus idealizadores, afirma que as pessoas são tocadas de forma diferente pelos trabalhos, que a relação do expectador com a peça é totalmente individual, privada e dependente dos conteúdos e experiências que o expectador traz. Não fosse assim, o tão bem elaborado projeto pedagógico não se justificava. Werlang afirma que uma das propostas pedagógicas da 6ª Bienal é apresentar os trabalhos como uma solução visual a que chegou o artista a partir de um problema ou reflexão com que se defrontou. As linguagens presentes nas propostas artísticas contemporâneas são, na maioria das vezes, muito novas. Assim, é difícil para a maioria penetrar em seus conteúdos.

Percebemos então que a falta de compreensão não é meramente o ranço de um público descontente com o que vê, nem falta de capacidade de interpretação. É sim, uma dificuldade advinda das diferentes linguagens utilizadas pelos artistas. O que evidencia que as barreiras são vencidas quando falamos todos a mesma língua, ou quando decodificamos suas mensagens.

(Artigo também publicado no jornal Correio do Povo do dia 13/11/2007)

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