Jornalismo ambiental

Na última quarta-feira, 10 de outubro, iniciaram-se, no Salão de Atos da Ufrgs, as atividades do 2º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, tendo como tema ‘Aquecimento Global: um Desafio para Todos’. A abertura foi marcada muito mais pela entusiasmada participação do conferencista da noite, o cineasta inglês Adrian Cowel, do que pelo discurso pouco envolvente e convincente dos políticos presentes. Com um público estimado em torno de 500 pessoas e contando com jornalistas de países como Cuba, Equador, México, Panamá e Uruguai, os organizadores prestaram uma homenagem ao ecologista gaúcho Augusto Carneiro, braço direito de José Lutzenberger em muitas conquistas e que do alto de seus 85 anos continua na luta em defesa do meio ambiente.

O cineasta britânico abriu sua conferência lembrando o amigo José Lutzenberger, e citou um episódio curioso ocorrido no início da década de 80, quando viajava com o ecologista pela BR 364, no Acre: ‘Lutz pediu de repente pra eu parar o carro, desceu e entrou na floresta. Depois de uns três minutos, retornou. Quando íamos partir, ele pediu para aguardarmos uns dez minutos. Depois da espera, convidou-nos para ir até a floresta observar onde ele havia urinado. Chegando lá, vimos que havia muitos insetos, centenas, em sua urina. Isso provava a ausência de sal naquele ambiente’. Após a lembrança, Cowel apresentou uma síntese dos documentários realizados na Amazônia e disse ainda ter encontrado em Lutzenberger um homem corajoso, pois foi o único disposto a falar e a criticar o programa de desenvolvimento na Amazônia em plena ditadura, quando o desmatamento era a política desse governo.

Amigo também de Chico Mendes, o conferencista emocionou os presentes com imagens do seringueiro em momentos de confraternização com a família e amigos pouco antes de sua morte. Em 1986, Chico foi o primeiro candidato a cargo político a defender a Amazônia. Em 1988, foi confirmada a primeira reserva extrativista pelo governo, por isso, segundo os fazendeiros, Chico tinha que morrer.

Cowel deu a boa notícia de que está doando todo o seu acervo de 50 anos para a Universidade Católica de Goiás. São 16 toneladas de filmes, positivos e negativos, que virão ao Brasil após minuciosa catalogação e que atualmente estão no porão de sua casa, em Londres. Em encontro com Lara Lutzenberger, Cowel informou que doou os direitos autorais do acervo da ‘Década da Destruição’ à Universidade Católica de Goiás com a ressalva de que a Fundação Gaia deve poder veicular suas imagens sem ônus.

(Artigo também publicado no jornal Correio do Povo em 15/10/2007)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s