Preconceito Racial

Tenho em mãos o livro “Negro em Preto e Branco – História Fotográfica da População Negra de Porto Alegre”, com organização de Irene Santos e editado em 2005 com financiamento do Fumproarte. Nessa magnífica obra, recheada de belas fotografias e textos bem redigidos, acompanho, pouco a pouco, a desapercebida – porém rica – trajetória da participação negra no processo de desenvolvimento cultural, social e econômico de Porto Alegre. Embora cada vez mais possamos ver a negritude colorindo as diversas áreas da sociedade, o Brasil, sinônimo de pluralidade racial e multiplicidade cultural, ainda não aprendeu a respeitar os negros de seu país. Estamos longe de alcançar a situação ideal: a de um Brasil não só livre do preconceito racial, mas reconhecedor das negras e negros que no seu cotidiano contribuem para o crescimento de nossa nação.

Os negros têm, lentamente, galgado degraus que os conduzem a uma carreira de sucesso. É comum vermos isso acontecer com aqueles que se dedicam às artes ou ao esporte. Em 1984, uma negra se tornava a Rainha das Piscinas do Rio Grande do Sul, concurso promovido pela Empresa Jornalística Caldas Júnior. Entre as 78 candidatas, foram necessárias três votações para que fosse confirmado o nome de Deise Nunes, eleita a primeira Miss Brasil Negra em 1986. Mais difícil, porém, é encontrarmos negros médicos, advogados, engenheiros e até mesmo políticos – atualmente, em nosso estado, lembro-me do Senador Paulo Paim. A escassez de âncoras negros nos telejornais brasileiros, repórteres ou até mesmo apresentadores, também é visível. Salvo algumas raras exceções, a televisão brasileira é predominantemente branca. Essa disparidade fica ainda mais clara na Bahia, estado brasileiro que concentra a maior parte da população negra de nosso país.

A falta de políticas públicas que garantam à população negra do Brasil o acesso à educação é a maior responsável pela marginalização dos mesmos. Precisamos tirar o contingente negro das mazelas periféricas de nossas cidades. A solução está, em parte, em proporcionarmos condições ideais de moradia, oferecer aos adultos trabalho dignificante, e às crianças e jovens o direito a uma educação de qualidade em turno integral. Enquanto tivermos uma sociedade dividida entre negros e brancos, onde uns nada têm e outros tudo podem, continuaremos a sofrer as graves conseqüências da injustiça social que prevalece em nosso país.

(Artigo também publicado no jornal Correio do Povo do dia 19/07/2007)

Um comentário sobre “Preconceito Racial

  1. Infelizmente vivemos em uma sociedade que se diz igualitária nos direitos entre as pessoas, independentemente da cor, opção sexual ou diversidade de opniões. Contudo, sabemos que isso na prática não acontece. De 10 pessoas que nos cercam, PELO MENOS 6 são racistas, embora tais aleguem o contrário. Não aceitariam com tanta facilidade uma atitude cometida por um negro e o pior: a sociedade está deixando-se contaminar por essas pessoas. O racismo engajado com o preconceito está alastrando-se pelas pessoas como uma doença contagiosa, que aos olhos inertes das pessoas, nao existe, mas somente as pessoas que sofrem o preconceito, sabem a intensidade disso.

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