Bienal do Mercosul

Este ano, a partir de primeiro de setembro, Porto Alegre novamente se destacará no cenário cultural internacional. Acontecerá aqui a 6ª Bienal do Mercosul, que trará 67 artistas vindos de 23 países. Esses são apenas alguns exemplos; mas, se você também achou que são muitos, engano seu. Segundo Justo Werlang, presidente desta Bienal, na primeira edição, em 1997, foram 275 artistas participantes. Estaria então a Bienal perdendo fôlego e se desencontrando com o passar do tempo? Também se engana quem pensa assim. Werlang explica que a “pequena” presença de 67 artistas na 6ª edição da Bienal reflete a preocupação com uma crítica dedicada às grandes mostras ao redor do mundo, qual seja, seu gigantismo. As grandes mostras fugiram da dimensão humana, agigantaram-se. Um exemplo, é que há duas edições atrás, para um cidadão olhar todos os vídeos que estavam na Bienal de Veneza, seriam necessárias duas semanas. Como ninguém dispõe de duas semanas para ver vídeos, neste particular, pelo menos, foi uma mostra para não ser vista. Aqui em Porto Alegre, a Bienal aposta na relação entre o cidadão e a obra. Será uma mostra com menos artistas, menos obras, porém de grande intensidade.

Confesso que a Bienal sempre me deixou inquieto. Afinal de contas, a arte aqui mostrada, chamada arte contemporânea, nunca foi dos principais alvos de meu interesse. Sempre foi uma arte que fugiu de minha capacidade de compreensão e análise crítica. Uma arte com a qual não me comunico. Sensibilizo-me com Van Gogh, Monet, Picasso, e para não fugir do solo gaúcho, cito José Lutzenberger e Pedro Weingärtner. Minha inquietação e preocupação aumentaram quando me vi em situação de constrangimento fora do estado. Ao ser questionado sobre a mega mostra que acontece na capital gaúcha, pouca coisa soube dizer. Agora, lanço-me no desafio de não só visitar as exposições, mas de procurar estabelecer um diálogo franco e sincero com as artes e os artistas que estarão mais uma vez em nossa cidade. Como sei que não estarei sozinho nessa empreitada de descobrimentos, compartilho com os leitores uma dica de Werlang, que vêm me auxiliando na aventura de ver a Bienal – e sua arte – com outros olhos: “Visite com atenção as estações pedagógicas, que estarão nas seis mostras. Nas estações pedagógicas os artistas estarão enunciando a reflexão que percorreram para a criação da obra exposta – a obra como solução visual de um problema”.

(Artigo também publicado no Correio do Povo de Porto Alegre no dia 10/07/2007)

2 comentários sobre “Bienal do Mercosul

  1. Cristian Lavich,
    Que bom, galgaste mais um passo nesta trajetória de conquistas!
    Fazer deste passo um pilar construído na tua história e para contribuição à cultura rio-grandense será mais um desafio.
    Te lembre: o futuro é apenas aquilo que, ainda, não foi descortinado.
    O meu imenso carinho a este polivalente!

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