Lutzenberger e Hebe Camargo

Nesta segunda-feira, dia 14 de maio, lembramos os cinco anos de falecimento do ecologista Lutzenberger. Trabalhando em minhas pesquisas acerca do ambientalista, descobri um artigo do Engenheiro Agrônomo Luiz Carlos F. Bernardes, publicado no Jornal do Comércio de Porto Alegre em 27 de maio de 1980. Intitulado “Hebe Camargo e a Agricultura”, o texto trata de elogiar a “fabulosa apresentadora”, que estreava na TV Bandeirantes, enaltecendo seu amadurecimento por levar ao novo programa não só música, mas personalidades que falavam dos problemas brasileiros. Os elogios seguem-se então à recente participação de Lutzenberger, que discursava sobre as questões ambientais relacionadas à agricultura. A presença de Lutz se deu com o auditório lotado, onde o público se manifestava, mostrando faixas de associações ecológicas apoiando o gaúcho e a preservação da Amazônia.

Da década de 80 do século passado até os dias de hoje agravaram-se os problemas ambientais. Conseqüentemente aumentou o debate sobre os mesmos nos meios de comunicação. Talvez uma das questões mais presente no discurso de Lutzenberger ao longo de sua vida tenha sido a defesa de belas e sustentáveis culturas camponesas, localmente adaptadas. A solução sempre está na agricultura tradicional e ecológica. Sobre as monoculturas, Lutz dizia que “é preciso olhar o quadro completo para poder entender porque e como a produção agrícola é cada vez mais dominada por corporações gigantes”.

Hoje, a crise no Rio Grande do Sul se agrava com a entrada da silvicultura. De um lado as empresas papeleiras ameaçam abandonar o estado com a demora na liberação das licenças ambientais para seus empreendimentos. Na briga pela preservação da biodiversidade e cultura gaúchas, estão ONGs e intelectuais. Segundo a escritora e jornalista Lilian Dreyer: “É estranho que as empresas de celulose ameacem abandonar seus projetos no Rio Grande do Sul. Estarão dispostas a desistir do tempo e dinheiro que investiram para determinar que aqui, no sul da América do Sul, estão suas melhores possibilidades de expansão? Em que outros lugares do planeta encontram largas extensões de terras “vazias”, água em abundância, clima mais que favorável a cultivos arbóreos, mão-de-obra abundante e barata? Não fica nem bem, para uma empresa que diz ter responsabilidade social, usar esse tipo de pressão em uma negociação. O governo do Estado, em vez de entrar nesse jogo e desautorizar seus próprios técnicos, deve, isto sim, tirar a Fepam do sucateamento, dar condições de trabalho a quem processa os licenciamentos ambientais e pensar nas crianças que estão nascendo hoje. Não temos o direito de saquear o futuro delas, para resolver problemas atuais de forma imediatista”.

Os alertas de Lutzenberger surgiram no início da década de 70. Hoje, sabemos que as monoculturas alteram drasticamente as paisagens e empobrecem a civilização. Quando governos e empresas culpam o meio ambiente pelo atraso no crescimento econômico do país, no mínimo, duvidam da capacidade de raciocínio lógico de seus cidadãos. Dessa forma, põe em cheque sua própria credibilidade.

(Artigo também publicado no Jornal do Comércio de Porto Alegre em 15/05/2007)

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