Lutzenberger é homenageado na COP8

Há 2.500 anos, o filósofo grego Heráclito afirmou: “A existência está em constante movimento”, explicando que todas as coisas estão em fluxo. Também foi há 2.500 anos que Gautama Buda nasceu em um país do Oriente, próximo à atual fronteira do Nepal com a Índia. Buda ensinou que todas as coisas são mutáveis, o que se conecta muito bem ao ensinamento de Heráclito de que todas as coisas estão em constante movimento, nunca são estáticas. A lição que podemos extrair é a de que é importante que prossigamos, perseverantemente, progredindo em nossos estudos, aprimorando nosso caráter e elevando nossos conhecimentos.

Não são apenas personalidades do passado distante que têm mensagens para os jovens de hoje, José Lutzenberger, personagem recente da história foi eleito uma das 100 personalidades brasileiras do século XX. “Lutz” alcançou reconhecimento internacional pela sua dedicação às causas ambientais, o que lhe rendeu o Prêmio Nobel Alternativo em 1988. Agora, quatro anos depois de sua morte, a Fundação Gaia, ONG criada por ele em 1987, continua colhendo frutos do legado que deixou. Fazendo jus ao ensinamento de Heráclito, de que todas as coisas estão em constante movimento, a instituição esteve presente em Curitiba neste dia 30, na COP 8, evento que reuniu ministros e delegações oficiais de 180 países que teve como objetivo discutir e tentar pôr em prática a Convenção da Biodiversidade, assinada na Rio 92. O lançamento do livro “Lutzenberger e a Paisagem”, de Paulo Backes, abriu as atividades em homenagem ao ecologista. A escolha do lançamento do livro de Backes não foi uma coincidência; na COP8, o Ministério do Meio Ambiente divulgou a formação de um Grupo de Trabalho sobre o Bioma Pampa, tema que faz parte de um capítulo inteiro da obra. Neste capítulo, Lutzenberger fala sobre a riqueza paisagística e a biodiversidade do Pampa.

Hoje, há uma tendência de buscarmos o conhecimento imediato, sem refletirmos profundamente sobre os fatos, encarando-os de modo superficial. Usando essa abordagem, é possível obtermos algum progresso, mas tal progresso será temporário, e não verdadeiro e duradouro. A juventude é o período em que precisamos aprimorar nossos conhecimentos, e observar as mudanças reais em nosso ambiente é a melhor forma para sermos jovens conectados aos ensinamentos de Lutzenberger, na busca de um futuro melhor para todos.

(Texto também publicado no jornal Correio do Povo, em 31/03/2006)

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