O Centro de Porto Alegre

Quero falar de algo que há muitos incomoda. Refiro-me à questão dos camelôs e de um grupo de pessoas que invadiram a região central de Porto Alegre. Esse grupo é formado por prostitutas da Praça da Alfândega, bebuns, marginais e flanelinhas que se instalaram no centro, fazendo do mesmo um dos piores lugares da capital gaúcha. Gostaria muito que esse pedaço da cidade fosse tratado com mais respeito. Já fui assaltado quatro vezes e desisti de contar quantas vezes presenciei cidadãos passando pela mesma situação. Isso me faz entender o motivo pelo qual os imóveis nesta área são tão desvalorizados. Mesmo sendo imóveis em ótimo estado de conservação em prédios ainda muito bem preservados, os valores são os menores do mercado imobiliário.

No centro de Porto Alegre temos um verdadeiro corredor cultural que vai da Praça da Matriz, Cais Mauá e seu entorno, além do trajeto que se estende da Usina do Gasômetro passando pela Igreja Nossa Senhora das Dores até a Avenida Borges de Medeiros. Não vejo vontade política por parte dos governantes em querer valorizar a área acima citada, proporcionando uma melhor qualidade de vida a seus moradores. É justo vivermos sem usufruir com tranqüilidade do patrimônio histórico e cultural que está à nossa disposição? Quando teremos uma ação mais eficaz no combate aos marginais que permeiam nossa Porto Alegre? Marginais que ficam à espreita, aguardando a distração dos transeuntes como se fossem urubus à espera da morte da vítima para atacar a carcaça. Já no que se refere às prostitutas da Praça da Alfândega, meu objetivo não é desmoralizá-las. Só gostaria que a Praça voltasse a ser uma opção de descanso e lazer para moradores e visitantes.

Outra preocupação é o crescimento do chamado comércio informal. Conheço várias capitais do Brasil, e poucas são tão sujas como a nossa. Os camelôs há anos estão no centro, e isso me faz lembrar os mercados informais de alguns lugares da África, onde se vende de tudo sem nenhum tipo de controle fiscal e sanitário. A instalação do camelódromo irá conter o avanço dos camelôs?

Quanto aos flanelinhas, registro a indignação de amigos e familiares, já que por motivos ecológicos, em Porto Alegre raramente ando de carro. Seguindo o exemplo da qualidade do transporte público, nossos governantes poderiam encontrar soluções adequadas para os problemas acima abordados.

(Artigo também publicado no Jornal do Comércio de Porto Alegre do dia 01/03/2006)

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