De quem é a Amazônia?

Sobrevoar a Selva Amazônica é uma das experiências mais gratificantes que tive em toda minha vida – isso aconteceu na segunda-feira passada. Ao mesmo tempo em que temos a imensidão de “um mar verde” à nossa frente e por todos os lados, identificamos ao longo do vôo algumas “ilhas”. Diferentemente das ilhas marinhas que são ricas em sua biodiversidade, as “ilhas” localizadas no meio da maior floresta tropical do mundo são vazias, desprovidas de vida. Nada mais são que grandes clareiras abertas pela exploração criminosa da madeira nobre que lá ainda existe; não sabemos até quando.

A Amazônia está acessível a qualquer um de nós. A princípio, como turistas, somos todos muito bem-vindos! Pelo menos é assim na região de Manaus, onde me encontro. O transporte fluvial é a principal via de acesso ao interior da floresta, e como para os estrangeiros nosso país está bastante atraente, nota-se em todas as embarcações que eles são a maioria. O número impressiona, e algo assim só identifiquei no Parque Nacional de Iguaçu, no Paraná. A diferença está nos interesses: a Amazônia desperta vários, enquanto que no Paraná, o único interesse é pelas famosas quedas d’água das Cataratas de Iguaçu.

Em passeio pelos Igapós, outra coisa que impressiona são os barcos dos ribeirinhos que vêm ao encontro dos visitantes. Geralmente são conduzidos por crianças de no máximo 14 anos. Sua tarefa é apresentar aos turistas, animais das mais variadas espécies, entre os prediletos, filhotes de jacaré e bicho-preguiça. Fazem isso por alguns míseros trocados. É triste notar que esses animais são retirados de seus ambientes naturais e utilizados como forma fácil de se ganhar a vida. Tudo isso acontece debaixo dos olhos dos governantes que fazem vistas grossas para um problema que poderia ser resolvido apenas com o cumprimento da legislação ambiental em vigor. Se as leis não se fizerem cumprir, corremos o risco de um dia nos peguntarmos: A quem pertence a Amazônia?

Para finalizar, gostaria de citar um belo exemplo de Gestão Ambiental. Refiro-me ao Hotel Tropical de Manaus. O esgoto de toda a estrutura do hotel passa por um moderno sistema de tratamento, com isso, a água é devolvida limpa para o Rio Negro e a massa orgânica que sobra é encaminha para um aterro sanitário, onde é utilizada em forma de composto orgânico. Gestão Ambiental é o que falta aos empresários brasileiros.

(Artigo também publicado no Correio do Povo de Porto Alegre do dia 17/12/2005)

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