Ainda o Parque da Guarita

A leitora Lucia Nobre, tendo lido meu artigo (JC, 06/09/05), pergunta: Se o Parque da Guarita, em Torres, foi idealizado por Lutzenberger, qual foi a participação de Burle Marx no mesmo?

Conforme relato de Lilly Lutzenberger, filha do ambientalista, em 1973, o governador Euclides Triches decidiu fazer o grande Parque em Torres. Foi resolvido, então, chamar Burle Marx para projetá-lo. Na primeira vinda deste a Porto Alegre, Lutzenberger foi chamado para participar das reuniões e da visita a Torres. Na ocasião, Burle Marx insistiu em que, para que ele pudesse fazer o projeto e a execução do mesmo, Lutzenberger fizesse um levantamento biológico e ecológico da área. De posse desse levantamento, Burle Marx fez dois anteprojetos. Infelizmente, parece que os mesmos foram criados por membros de sua equipe, sem quase respeitar o levantamento: formas geométricas abstratas, que não levavam em conta a complexidade da paisagem. A CRTur e a então Secretaria de Turismo do Estado, começaram a executar os trabalhos do Parque. Além dos planos paisagísticos, foi feito um anteprojeto para uma construção mirabolante: um centro de convenções com a forma de um gigantesco disco voador de concreto. Foi começado o estanqueamento para esse monstro arquitetônico, consumindo muito dinheiro e trabalho. No meio das obras, já vendo o absurdo do empreendimento, com seus altíssimos custos e enfrentando dificuldades orçamentárias, a CRTur resolveu abandonar o projeto de Burle Marx e assinar contrato com Lutzenberger para fazer um paisagismo mais ecológico, que valorizasse a beleza e características naturais da área. O trabalho de Lutz foi imediatamente iniciado, e a solução que ele encontrou para fazer desaparecer as estacas de concreto, foi cobrí-las e transformá-las no anfiteatro com seu laguinho e o palco circular.

Na época, foi criado ainda um grande viveiro, que se tornou famoso por sua belíssima coleção de plantas ornamentais nativas e exóticas, com infinidade de cactáceas, bromélias e orquídeas.

Quanto a Burle Marx, ele e Lutzenberger, que eram amigos pessoais, estavam em perfeito acordo e comunicação na época da criação e execução do parque. Burle Marx inclusive expressou que as soluções encontradas por Lutz eram bem mais adequadas.

A origem do mal entendido está no fato de que, durante a gestão do Prefeito Cléo Biasi, foi trocada a placa original do parque e colocada uma nova, que atribui a obra a Burle Marx e ao referido prefeito.

(Artigo também publicado no Jornal do Comércio de Porto Alegre do dia 26/09/2005)

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