A Paixão de um torcedor

Às vezes, a paixão por uma ideologia política é tão grande ou maior que a paixão por um time de futebol. Minha paixão pelo futebol, por exemplo, sempre achei ser menor que a paixão que tenho por minha ideologia política, tanto que nunca pensei em tatuar na própria pele o tão vitorioso símbolo gremista, time para o qual eu torço sem saber o por que desde que nasci paranaense em 1976; e olha que só virei gaúcho em 1993 quando para cá me mudei. Em 1996 saí do país e retornei somente no final de 2000. Bem, dos meus 29 anos, 7 deles foram vividos em solo gaúcho. Aqui vi crescer e aumentar duas grandes paixões de minha vida. Uma delas é a paixão de ser gremista, que cresce a cada vitória e que não se abala com as derrotas.

Outra paixão que aqui cresceu, mas que, diferentemente da paixão pelo Grêmio não nasceu no Paraná, e sim tem suas raízes em solo Gaúcho, é a paixão pela minha ideologia política. Foi amor à primeira vista! Amor desses que a gente acha que é para a vida inteira; e já que era para ser para a vida inteira, desde o início do governo Lula trago tatuada no pulso direito uma pequena estrela vermelha.

Ultimamente vinha olhando para essa estrela e achando-a meia turva, meio opaca, como se estivesse perdendo seu brilho. Então, decidi parar e refletir um pouco sobre a maneira como eu vinha julgando o governo que carrega a ideologia na qual sempre acreditei. Nos últimos dias voltei a olhar para a estrela tatuada em meu pulso e notei que ela voltava a brilhar. Refleti bastante sobre o que essa estrela sempre significou para mim e de repente lembrei-me do meu time de futebol.

Sim, porque quando o time da gente não faz uma boa campanha, a gente mesmo assim não deixa de torcer por ele, por mais indignados que fiquemos. Então, me dei conta que essa estrela começara sua campanha há pouco tempo, e que os 4 anos dessa partida, ou seja, desse “jogo político”, podem representar apenas um primeiro tempo. E, se considerássemos estar chegando ao final do jogo, os resultados obtidos até o momento indicariam um empate entre o time do governo e a oposição. Neste caso, pela lógica, ainda precisaríamos de uma prorrogação para chegarmos a um resultado final. A decisão que por hora tomei, foi a de continuar torcendo pela estrela até o fim do jogo, para só então tomar uma decisão: a de substituir ou não a estrela do pulso pelo símbolo gremista!

(Artigo também publicado no Jornal do Comércio de Porto Alegre, no dia 25/05/2004)

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