Dois anos sem Lutzenberger

Ele foi o pai da ecologia no Brasil. Depois dele, vieram seus seguidores. José Antônio Lutzenberger não deixava passar uma oportunidade que surgisse para mostrar ao seu povo o quão importante é para a humanidade o meio ao qual estamos inseridos. Indignado principalmente com o uso de agrotóxicos na produção agrícola mundial, lutou muito para implantar um sistema de agricultura sustentável onde o homem pudesse usufruir dos benefícios da terra sem agredí-la com venenos. De conhecimento invejável, dava gosto estar na platéia de suas palestras.

Lutz nunca mediu esforços para fazer do planeta terra um lugar de melhor qualidade para a vida de todos. Aliás, seu objetivo era fazer com que seres humanos vivessem em harmonia com as demais formas de vida existentes aqui. Sua tese em defesa da natureza sempre foi bem fundamentada na teoria já comprovada de que nós seres humanos fomos uma das últimas espécies a fazerem parte desse ecossistema, o que não nos dá o direito de nos sentirmos superiores a ponto de acabar com as espécies sem capacidade de defesa própria e isentas de raciocínio lógico.

Se quisermos dar continuidade a espécie humana, devemos respeitar a vida de todo planeta. Se pensarmos ser soberanos e capazes de sobrevivência, menosprezando os ciclos e os cursos naturais de Gaia, essa se voltará contra nós e estaremos extintos antes mesmo do que pensamos. É burrice acreditarmos que temos recursos naturais infinitos para a nossa sobrevivência. De certa forma, já estamos sofrendo com os resultados catastróficos que estão aparecendo a cada dia que passa, mas, o homem não se dá conta e procura respostas onde provavelmente não as encontrará. O sistema ao qual estamos inseridos, muitas vezes deixa os homens cegos. São homens egoístas que insistem em querer provar que o atual sistema de mercado é o melhor para o futuro da humanidade. Não passam de meros demagogos que não têm conhecimento científico, são levados apenas pela visão capitalista e que visam lucros e benefícios próprios. Já está mais do que provado que existem formas para alcançarmos o desenvolvimento social e econômico da população mundial, e inclusive acabar com a pobreza crescente , sem extrairmos tudo exageradamente da natureza e sem transformarmos o planeta num depósito de lixo.

Não existe a possibilidade de voltarmos no tempo, porém, José Lutzenberger nos deixou uma infinidade de ensinamentos perpetuados em livros e textos que nos conscientizam e ensinam como podemos de agora em diante colocar em prática a restauração e a construção de um planeta terra cada vez melhor para a vida de todas as espécies.

Este homem que partiu no dia 14 de maio de 2002, foi um dos mestres da sabedoria e um dos maiores representantes de nosso país lá fora; digno de todas as honrarias que recebeu, não era vaidoso, porém, envaidecia-se quando via algum trabalho seu reconhecido, não que as homenagens a ele rendidas fossem o mais importante. Sentia-se honrado quando via os resultados de seus trabalhos servindo de incentivo para novas gerações aprenderem a viver e a buscarem um equilíbrio com o meio ambiente – essa era sua maior recompensa.

Em toda sua trajetória, uma das coisas que deixava Lutz entristecido, era a falta de interesse pela questão ambiental, principalmente da parte dos jovens. Ele não conseguia entender como alguém pode não se interessar por algo tão importante para a continuidade de sua própria vida. Se dermos continuidade a essa triste devastação estamos arriscando a extinção de nossa própria espécie. Se não cuidarmos de nossa biodiversidade, estaremos descuidando de nós mesmos. Devemos dar início a uma grande campanha, através da qual se dê ênfase ao preparo do jovem para a vida e não só para o mercado de trabalho como estão pregando os atuais sistemas capitalistas.

(Artigo também publicado no Jornal do Comércio de Porto Alegre do dia 14/05/2004)

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